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O marketing digital está com os dias contados

Como o fim de uma era pode remodelar estratégias e o mercado

 

Imagem: peças de jogo formando a palavra "plano".

A história e a sociedade, como um todo, são mutáveis e estão sempre em constantes mudanças. Com as múltiplas inovações, o mercado entendeu a necessidade de se adequar a elas e já acompanha, cada vez mais próximo, essas transformações. E com o marketing não é diferente.

Embora o panorama mundial seja predominantemente analógico, é inegável como é vivenciado, cada vez mais, o digital nas pequenas – e grandes – decisões cotidianas. São smartphones, assistentes virtuais, GPS… tecnologias que tornam o dia a dia cada vez mais digital, alterando as atividades, as relações e também as empresas.

Nos últimos anos, houveram inovações significativas que transformaram diversas áreas. No diagrama abaixo, pode-se observar as mudanças ou inserções tecnológicas de larga escada e largo potencial de atingimento em termos de pessoas, como IA, tecnologias móveis, realidade aumentada.

Todas essas novidades criaram a necessidade de alteração nas estratégias de negócios. Contudo, para mudar estratégias, é preciso mudar modelos; para mudar modelos, mudar processos; e para mudar processos, mudar a cultura. Ou seja, as mudanças culturais acabam sendo potencializadas nesse processo de digitalização da sociedade.

 

Mundo real cada vez mais digital

Não existe mais a distinção que marcou o início da era do pensamento digital. Antes, havia a separação do que era o marketing do marketing digital, pois, na prática, tratavam-se de disciplinas separadas.

O marketing digital, então, era a execução de um direcionamento do marketing institucional – as empresas o faziam em seus planejamentos estratégicos, afim de alcançar suas metas, e desdobravam isso em ações de marketing. Assim, o marketing digital era tratado como uma alternativa para os investimentos e esforços, e servia para a empresa atingir esses clientes através da utilização de recursos digitais.

A questão é que com a evolução dessas ações, do ponto de vista de administração, o plano de marketing passou a levar o digital de uma maneira tão intrínseca que essa distinção parou de fazer sentido: o atual cenário é de um único marketing que leva o digital em consideração no processo de pré e pós-venda. Na verdade, é possível afirmar que muito mais do que a comunicação e o marketing, o digital vai começar a ser levado da mesma maneira, com um pensamento intrínseco, para outros segmentos das empresas também.

O RH, por exemplo, não poderá mais pensar as políticas de recursos humanos sem levar em consideração as características do ambiente digital, tanto no ato de contratação quanto na manutenção dos recursos humanos dos colaboradores de empresa. Essa mesma situação pode ser aplicada no departamento de operações, pois todo o processo de Supply Chain poderá ser permeado pelo digital.

 

Adeus, marketing digital

Com todas essas reformulações, em que as inovações tecnológicas estão cada vez mais presentes nas diversas esferas da vida, é impossível acreditar que o marketing digital, como é tratado hoje, perdure. A atual diferenciação está com os dias contados e, em futuro próximo, haverá apenas um marketing que contempla as atividades digitais. E uma forma dos profissionais se preparem, é utilizar as ferramentas disponíveis para se alinhar a essa nova realidade.

A customização e o engajamento são dois pontos importantes. A personalização em massa acaba sendo uma prática de diferencial competitivo importante para as empresas, porque se comunica com um maior número de pessoas, em um mercado que potencialmente cresceu. Além disso, a empresa consegue individualizar sua conversa com o consumidor e até mesmo a entrega dos serviços e produtos que a empresa tem – a customização acontece integralmente.

No que diz respeito ao engajamento, dar ênfase à tríade amor, dinheiro e glória é uma boa estratégia. Os consumidores se engajam através de um sentimento – o amor – e através deles tornam-se defensores e porta-vozes de uma marca. Outra opção é quando a empresa compra esse engajamento, oferecendo descontos, produtos e, a partir disso, seu público estabelece esse envolvimento, alinhando-se às expectativas da comunicação.

Todos esses casos apontam para um mesmo caminho: tudo será parte integrante do marketing. Não haverá separação como digital ou social, porque essas distinções não farão mais sentido. É preciso aceitar que o movimento está acontecendo e profissionais e marcas precisam estar atentos. É chegada a hora do mundo real digital.

André Miceli

é autor dos livros "Planejamento de Marketing Digital", "Estratégia Digital: vantagens competitivas na internet" e "UML Aplicada: da teoria à implementação". Certificado no programa Advanced Executive Certificate in Management, Innovation & Technology do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ele cursou o programa de Negociação da Harvard Law School.

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