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LGPD: um tema que precisamos discutir cada vez mais

A Lei Geral de Proteção de Dados está aí e quem estiver preparado para ela vai estar um passo à frente do mercado

 

Imagem: tela de computador com gráficos. LGPD.

Isaac Asimov escreveu, como parte de suas obras de ficção, que não era possível prever as ações de um único indivíduo em específico. Porém, ao aplicar as leis da estatística em uma amostragem referente a uma grande população, seria possível prever o que estaria para acontecer.

Deixando a ficção de lado, o fato é que dispor de dados de muitas pessoas leva a uma certa acurácia em análises preditivas, e os resultados disso podem ser usados para influenciar as pessoas de alguma maneira. É aí que entramos no tema dessa conversa.

A força dos dados, aliada à nossa atual capacidade tecnológica para processamento, é tão grande atualmente que pode ter uma enorme influência na vida de todos. A surpresa não é nem tanto no vazamento, e sim na consequência da aplicação dessas informações.

O BREXIT talvez tenha sido um dos primeiros casos significativos de uso e aplicação de dados para influenciar a opinião popular, assim como a eleição de Donald Trump. A partir do momento em que temos muita informação distribuída pelo mundo, e ao alcance de todos, o que pode acontecer? Como devemos nos adaptar? Como podemos organizar e regularizar isso? O que devemos e podemos fazer nesse contexto?

Diga olá às legislações de proteção de dados.

Novas regulamentações e diretrizes sobre proteção e privacidade de dados surgiram recentemente para responder algumas dessas perguntas – e, com força de lei, usam a punição como motivação para que as empresas reajam de alguma maneira ao novo panorama.

A primeira regulamentação, chamada de General Data Protection Regulation (GDPR) surgiu na Europa e entrou em vigor em 2018. Logo ganhou uma versão brasileira, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Existem, obviamente, algumas diferenças entre as duas – mas acredito que é correto afirmar que, de certa forma, os governos e as empresas ainda estão por perceber o impacto das mesmas na sociedade e para as pessoas.

É importante compreender também que nenhuma dessas legislações proíbe de fato a coleta e processamento de dados de indivíduos – esse é um dos mitos que precisa ser derrubado! É perfeitamente possível continuar coletando e tratando dados, só que isso vai demandar mais cuidado e atenção a partir de agora, e as empresas precisam estar mais do que apenas “preocupadas”: é preciso se preparar, e se preparar seriamente, em vistas dos riscos envolvidos e da responsabilização!

E como podemos nos preparar para a implementação da LGPD no Brasil?

Por ser uma LEI, a primeira dica seria: busque um bom advogado! É preciso providenciar o devido suporte para orientação na busca pela conformidade jurídica em relação à LGPD.

E mais:

Leia a LEI! Não é só para dar uma olhada por cima ou acompanhar artigos e notícias; é importante acessar e ler a lei na íntegra, e perceber que o assunto é, muitas vezes, bem mais profundo do que anda sendo divulgado por aí.
Prepare um contexto primário para trabalhar com ela na prática. Não vale criar um novo produto ou um novo serviço, oferecer ao mercado e só depois pensar nos cuidados com os dados! Não se “dá um jeito” nisso. Deixar para depois pode ser tarde demais. Mesmo que seja um produto ou serviço para ser lançado daqui dois anos, coloque o quanto antes a busca pela conformidade com a privacidade de dados em seu planejamento.

Intensifique o senso de urgência. Quando a LGPD foi assinada, em agosto de 2018, tínhamos um certo tempo para nos prepararmos. Esse tempo está contando, e diminuindo. A conformidade exige, em muitos casos, mudanças operacionais que envolve processos internos e a cultura das empresas. A não adaptação pode impedir a atuação da marca no mercado!

Quanto à LGPD, o que estamos fazendo no Brasil é:

  • Acessar nossos clientes, apresentar e debater a questão com todos eles;
  • Conscientizar nossos colaboradores, através de treinamentos contínuos – o nosso mindset precisa incorporar a privacidade de dados no dia-a-dia de trabalho;
  • Realizar mapeamento de jornada de dados nos serviços que prestamos aos nossos clientes, analisando os riscos.
  • Claro, tudo isso com o devido engajamento e protagonismo de nossos clientes, pois a responsabilidade primária sobre os dados processados por nós, em benefício deles, é deles mesmo!

E é aí que entra um ponto importante: as empresas precisam entender que existe, na questão da privacidade de dados, uma oportunidade imperdível – e que deve ser encarada como uma vantagem competitiva: é muito importante que as pessoas saibam com clareza quais informações estão cedendo na relação com a marca, e qual é a postura de respeito que essa marca vai ter com as informações coletadas. Mais do que apenas falar que respeita o consumidor, é a hora de provar.

Prepare-se!

Adriano Pereira

é Diretor de Plataforma da Mirum, eleita pela 3ª vez consecutiva pelo Great Place to Work como a melhor agência para se trabalhar no Brasil. Na agência desde 2015, o especialista em Network & Distributed Systems pela PUCPR tem passagens pelo HSBC, Gate 7 e ClikTrue Tecnologia AS; e já atendeu clientes como Banco Original, Cyrela, Johnson & Johnson, TIM, Porto Seguro, SKY, Volvo e Votorantim.

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