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O que avaliar no momento de produzir conteúdo para dispositivos móveis

Conceitos:  como mobile first e mobile only precisam ser colocados em prática

 

Hoje em dia é impossível pensar em conteúdo e não pensar em plataformas mobile. Segundo estimativa da Fundação Getúlio Vargas, em 2018, o número de smartphones apenas no Brasil chegará a 236 milhões.

O crescimento das plataformas mobile e do consumo de smartphones têm trazido novas formas de enxergar a experiência do usuário com as marcas nos últimos anos. Em 2015, a Digitalks já avaliava dois conceitos que ganhariam força nos anos seguintes e seguem como ponto de discussão entre os criadores de conteúdo: mobile first e mobile only.

O mobile first, como o próprio nome sugere, foca na criação de sites e conteúdos a partir da experiência mobile, para depois pensar a experiência em desktops. Se antes o desktop ditava as regras do que se veria em um site, hoje, a tela do smartphone obriga que apenas o essencial apareça na tela.

Para além do “mobile first”, que leva em conta o uso dos smartphones como complementar ao desktop, o conceito de “mobile only” tem ganhado cada vez mais força. Nele, o smartphone passa ser primeira tela do usuário e, muitas vezes, a única. Nesse cenário, pensar a experiência a partir do desktop deixa de fazer tanto sentido, já que, além do uso dos smartphones aumentar cada vez mais, as experiências oferecidas pelos aparelhos também abrem infinitas possibilidades que o desktop não pode oferecer.

Isso significa que não só a experiência do usuário com o conteúdo muda, mas também seu comportamento no geral. O usuário hoje usa o smartphone para tomar suas principais decisões diárias, seja na hora de consultar mapas para escolher a melhor rota, seja para escolher qual a melhor opção de compra entre várias lojas. Uma pesquisa do Google, em colaboração com a Purchased, analisou o comportamento de mil usuários, para checar quantas vezes ao dia recorriam ao smartphone para tomar atitudes. Buscar no smartphone antes de tomar uma decisão foi um comportamento realizado por 87% deles.

 

Criando conteúdo para um novo usuário

Na hora de criar conteúdo para esse tipo de usuário, é importante pensar que nem tudo que funcionava no desktop funciona no smartphone. Textos grandes, por exemplo, são difíceis de ler para quem usa o smartphone em movimento, seja em metrôs, ônibus ou durante caminhadas. Os textos devem ter uma manchete curta e direta e não podem ser muito longos, com uma fonte de tamanho razoável. Recursos visuais, por sua vez, são muito recomendados.

Imagens estáticas, gifs e vídeos chamam muito mais atenção do que textos, então é importante focar nessas estratégias. Listas são uma boa alternativa para unir textos curtos e recursos visuais, mas não devem ser a única opção. No caso dos vídeos em redes sociais, é importante prender a atenção dos usuários nos primeiros segundos, já que o vídeo normalmente vai aparecer enquanto o usuário faz o movimento de rolagem. Nelas, o usuário pode não ativar o som ao ver o conteúdo, então é possível usar legendas como recurso adicional. Lembre-se que esse comportamento varia de acordo com a rede social escolhida para a produção do conteúdo. No Instagram Stories, por exemplo, 70% dos usuários assiste aos vídeos com som, segundo a empresa.

Diferentemente das redes sociais, nos sites é preferível que o usuário controle a experiência de som e imagem, pois pop-ups com vídeo e áudio podem ser invasivos, principalmente se ele tiver limitação de dados de internet, como é o caso de grande parte dos brasileiros, a depender do público-alvo.

Pensando nessa experiência e, principalmente, testando seu conteúdo em smartphones, é possível criar conteúdo de relevância e atrair esse usuário, mas é preciso entender seu comportamento e fazer parte do seu cotidiano, oferecendo soluções para suas necessidades. Esse tipo de comportamento é chamado pelo Google de comportamento de “micromomento”, no qual as decisões de compra ou de busca são tomadas em espaços de tempo muito menores do que na era do desktop. Segundo a empresa, são os momentos do “quero saber”, “quero comprar”, “quero ir”, entre outros, que criam o engajamento do cliente. A missão de uma empresa na era mobile é achar o momento de maior receptividade desses consumidores, para ajudá-los de descobrir respostas ou tomarem decisões de compra.

Fernando Mola

é analista de conteúdo digital na Agência Linka e jornalista formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Apaixonado por novas mídias, cultura digital e economia criativa.

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