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Iteração: um caminho sem volta

Aprenda como implementar a cultura da iteração na sua empresa

 

Foto. Homem de costas em pé. Ele está parado em uma estrada. Veste calça preta, camisa branca, um das mãos está no bolso da calça e com a outra segura uma mala no ombro. A estrada é reta, em um certo momento vira uma subida em direção às nuvens. Em volta da estrada um chão de terra batida e o céu com muitas nuvens.

Os anos recentes trouxeram consigo mudanças drásticas nas dinâmicas de mercado conforme as conhecíamos.  Parece que para toda indústria há um serviço on demand que já foi criado. Startups com as propostas mais ousadas possíveis crescem em uma rodada de captação atrás da outra. Olhando para o lado de fora, pode parecer que não existe mais espaço para sua empresa inovar. Isso só será verdade se você continuar olhando para fora.

Antes, considerada como patrimônio de algumas poucas marcas ousada, a inovação se sedimentou como o principal paradigma para os empreendedores e gestores da atualidade. Essa mudança, na verdade, só aconteceu graças ao caráter dinâmico do consumidor contemporâneo. Para esse cliente, uma solução que fazia sentido a alguns meses pode não ser mais relevante. Um problema que o incomodava no início do ano pode nem mais existir.

Nesse contexto, falar que a aproximação com esse consumidor é o asset mais importante para qualquer empresa pode parecer redundante. Mas de nada adianta ter um bom relacionamento com seus clientes nas redes sociais se eles não se vêem contemplados em suas estratégias de negócio. Caso sua solução não faça mais sentido, eles não vão exitar em apontar seus erros ou fazer sugestões de melhorias. Por isso, estar disposto a incluir o consumidor dentro do seu processo de escolhas e deixar que ele seja o seu guia no processo de inovação é essencial. Para se adaptar a esse novo cenário, as empresas estão recorrendo a implementação de processos que “desburocratizam” as mudanças e substituindo os planos de negócios imutáveis pela mentalidade de aprender, fazendo junto com seus futuros usuário. É aqui que a iteração entra em jogo.

Iterar nada mais é do que ter a predisposição de mudar de rumo de forma contínua a partir de aprendizados constantes . É entender, errar muito e errar cedo. É melhor e mais barato do que apostar em uma grande ideia e implementá-la sem a validação do consumidor final. Se você vem de uma realidade empresarial que abomina o erro e preza pelas estratégias a longo prazo, não se assuste. Assimilar os processos de interação à sua cultura empresarial só trará benefícios. Conheça abaixo cinco passos para implementá-la em sua empresa:

 

Implemente a cultura da iteração em sua empresa em 5 passos

  1. Estruture workshops de ideação no início de cada projeto, convidando os consumidores mais próximos de sua marca para gerar ideias de inovação ou melhorias incrementais de produtos ou serviços já existentes juntamente com sua equipe;
  2. Aposte em processos de prototipação colaborativa, onde o cliente final atua junto com o time de desenvolvimento na criação de novos produtos;
  3. Implemente um canal de comunicação direto entre os consumidores participantes e os responsáveis pela prototipação. Por envolver uma dedicação maior do consumidor e uma troca constante com seu time, é importante haver um meio que centralize esse diálogo;
  4. Crie um cronograma de projeto anual, considerando o que acontece além da implementação do produto ou serviço desenvolvido. Dessa forma seu time se sentirá constantemente estimulado a iterar suas soluções, mesmo depois delas serem lançadas no mercado;
  5. Inclua, no calendário de atividades da sua empresa, reuniões trimestrais de feedback para cada projeto, contemplando momentos de revisão e ajuste de rota;

 

Indo muito além de inovar a partir de insights do cliente, a iteração sugere como uma predisposição a mudar e validar as novas soluções constantemente. De nada vale uma nova ideia, idealizada e desenvolvida junto a seus consumidores se ela não estiver em constante testes e otimizações. E aqui que está o maior desafio da iteração. Na mentalidade corporativa atual, projetos são tratados como demandas específicas, com começo, meio e fim. Abraçar a iteração é aceitar que não existe mais fim, apenas sucessivos processos de aproximação de seu consumidor, escuta e melhoria. É estar sempre disposto a aprender, mudar e, por que não, dar um passo atrás quando for preciso.

Thiago Buchler

é sócio na GTC, responsável pela gestão de todas as operações da empresa, coordenação de equipes e desenvolvimento de projetos, estando também à frente dos projetos de tecnologia

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