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Diversidade e Tecnologia no Digitalks 2019

Apesar da pluralidade e peso do tema, me arriscarei a falar sobre um pedacinho importante desse papo sobre diversidade – sobre algo que, pessoalmente, me sensibiliza: ver mulheres como referência nas áreas em que atuam.

 

 

Foto: painel sobre diversidade.

 

Para o Digitalks, foi a edição comemorativa: em 2019, foi a décima vez de fazer acontecer o Expo Fórum Digitalks, o principal evento de negócios digitais do Brasil. Para mim, a primeira participação no evento de 11 auditórios, 220 palestrantes e 144 horas de conteúdo, que foram de Real Estate a Blockchain, até Indústria 4.0 e Transformação Digital. Com a variedade dos temas, o primeiro desafio foi montar uma agenda que respeitasse a limitação humana de não poder estar em três lugares ao mesmo tempo (em tempos de quarta revolução, isso não deve ser um problema nos próximos anos. Aguardemos…).

Inclui algumas palestras que traziam diretamente a temática mulheres e tecnologia. De “As mulheres na Transformação Digital”, com a Núbia Mota da Magento – Adobe, Ana Maia da Tradesquash, Andreia Losinno da Espaço Laser e Lívia Soares da Emailage, vieram comigo três reflexões: sobre a importância de saber fazer as perguntas certas. Sobre abandonar o “mulher dá conta de tudo” e fazer o que posso dentro dos meus limites. Sobre não deixar que não ter 10 anos de experiência em determinado mercado me limitem a atuar nele.

O Talk Show da Liliane Rocha, da Gestão Kairós, e da Paula Paschoal, do Paypal Brasil, foi uma experiência à parte. Nele, ouvi várias vezes sobre como desigualdade e diversidade devem se relacionar no atual ambiente do mercado.

“Desigualdade deve ser transformada em diversidade”

A questão sobre a diversidade nas empresas, conforme discutido por elas, não é sobre querer aderir ou não: a diversidade já existe e está posta. Porém, eu, como empresa, vou ser inclusiva ou não? A revolução será para todos ou somente para alguns? Como incluir uma parcela da população que eventualmente pode se prejudicar com o avanço da tecnologia dentro das empresas?

De maneira sucinta, para responder essas perguntas é preciso inicialmente compreender em profundidade as questões de desigualdade e diversidade. Depois, pensar e criar novas formas de trabalho e, com isso, tornar possível o desenvolvimento de novas habilidades dentro do contexto da quarta revolução industrial. Aproveito para trazer como referência a pesquisa O futuro do mercado de trabalho, da McKinsey, que traz um conteúdo indispensável para essa discussão.

Além dessas duas apresentações, vi muitas mais mulheres nos palcos, em todos os tipos de painéis. Vi a Mariana Busani do Grupo Boticário falando sobre o futuro dos negócios digitais através da sua experiência na The Beauty Box, vi Stella Hiroki mostrando o trabalho incrível que desenvolve sobre Smart Cities, vi Solange Gueiros falando sobre blockchain e o Universo Ethereum. Vi Martha Gabriel, vi Renata Maluf, vi até Maísa – entre tantas outras que estavam presentes e não consegui ver, por conta daquela limitação humana que citei lá no início.

Seja conversando diretamente sobre a presença feminina no mercado x ou y, ou compartilhando aprendizados e desafios da sua própria vivência; seja sobre diversidade em toda sua complexidade e abrangência, ou falando sobre os temas técnicos nos quais são especialistas, ver diversidade em lugares de destaque é incrivelmente inspirador. Especialmente em uma época na qual já se sabe que diversidade e inclusão tem impacto direto na produtividade e na performance financeira das empresas, a necessidade de ver palcos cada vez mais irrestritos só aumenta.

Amanda Scarpin

é Engenheira Mecânica formada pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Atualmente, é responsável pela área de Business Intelligence na Blendi.

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