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Saída do Toddy do Facebook indica uma tendência? 

No fim de setembro, a marca Toddy (Pepsico) anunciou que estaria desativando seu Facebook. O movimento, iniciado pela marca, nada tem a ver com o #StopHateforProfit americano

 

Não é de hoje que o Facebook tem perdido alguns anunciantes grandes por causa de problemas que as pessoas causam na rede, com relação aos discursos de ódio, e o não posicionamento nessas situações.

Em Junho deste ano, nos EUA, marcas como Puma, Adidas, Starbucks, Microsoft, Unilever, Volkswagen, Coca-Cola, entre outras que listam quase 1.000, informaram que ou sairiam do Facebook ou investiriam apenas em conteúdo, sem promover com mídia paga.

Segundo matérias recentes, as marcas não estão muito afim de sair da campanha #StopHateforProfit (“pare o ódio em nome do lucro”, em tradução livre), organizada por ativistas de direitos civis. Isso está causando um enorme prejuízo financeiro e de reputação de marca no Facebook. “Tio Mark” está deixando de dominar o mundo e perdendo milhões de dólares.

 

E no Brasil?

Esse movimento ainda não chegou as terras tupiniquins. E nem chegará! A nossa visão, ainda é de que rede social é mídia e, como temos experts em post patrocinado, que acreditam ser os novos “Philip Kotlers” do marketing, o movimento não pegará, pois vai tirar o trabalho deles, afinal, no Brasil, gestão de redes é isso: arte, texto, postagem, patrocínio e relatório. Muito pouco para o potencial que Rede Social tem no Brasil, não?

Esse movimento, se não pegou no país, em Junho, quando começou nos EUA, não vai pegar agora, quando estamos entrando no último trimestre do, talvez, ano mais louco da história. Acho que dentre tudo o que está acontecendo, começo a acreditar no meu São Paulo FC ganhando o Brasileirão, treinado pelo Diniz e com gol do Pablo no jogo decisivo!

 

Toddy inicia um movimento?

No fim de setembro, a marca Toddy (Pepsico) anunciou que estaria desativando seu Facebook. O movimento, iniciado pela marca, nada tem a ver com o #StopHateforProfit americano, mas sim um entendimento sobre o público principal da marca: o jovem!

Segundo a marca, e com certeza há estudos para embasar essa ideia, o seu público, jovens de 13 a 17 anos não estão no Facebook. Eu acredito que até possam estar, mas a interação é muito baixa, ainda mais se comparado a outras redes, por isso, e com certeza embasado em pesquisas, relatórios e dados, a marca decidiu tomar essa atitude.

Aqui em casa, por exemplo, eu tenho a pequena Fernanda, que recentemente completou 10 anos. A “Fefis” (como ela gosta de ser chamada) me ensina tudo sobre o TikTok. Faz vídeos com as amigas, passa horas vendo o que os outros fazem. Ela tem um Instagram, apenas para postar vídeos do TikTok ou seus desenhos do Gacha Life, um jogo gratuito em que os jogadores podem criar personagens no estilo anime com roupas, acessórios e cabelos personalizados, e participar de mini games e aventuras.

A “Fefis” consome muito YouTube. Recentemente ela me perguntou sobre o Twitter, pois um dos seus YouTubers favoritos interage muito por lá. Ela tem vários grupos no WhatsApp, com amigos da escola e família. Quanto ao Facebook, ela me vê mexendo, mas pouco se interessa por essa ferramenta, além de chamar de chata várias vezes. Se ela ler o que escrevem lá então, vai achar ainda mais chato.

A “Fefis” pode ser apenas uma, mas acredito que seu comportamento seja o mesmo da sua faixa etária. Pergunto muito para ela, até como profissional de planejamento de comunicação que precisa entender mais o comportamento das pessoas, sobre como as suas amigas e amigos usam as redes, e o perfil é muito similar ao dela, o que corrobora com o pensamento de Toddy.

 

Onde o jovem está?

Entendendo que o jovem cada vez mais está se interessando pelos influenciadores – o que como pai, tenho um certo medo, ainda mais quando Felipe Neto é um representante forte desse segmento – a marca transformou seu símbolo, a vaca em uma influenciadora, que terá o papel de conversar com os usuários sobre dilemas e discussões da juventude como: rotina, medos, inseguranças e questionamentos.

Um perfil no TikTok, rede social que é febre entre esse público, a “Fefis” não me deixa mentir, será lançado em breve. E eu não me assustaria, em nada, se o TikTok se tornar o principal canal da marca para dialogar com seu público-alvo.

Outro ponto a favor do Toddy é que, cada vez mais, marcas precisam se posicionar, ajudar as pessoas e serem curadoras de conteúdo. Toddy, com isso, se coloca à frente de muitas outras marcas de diversos segmentos. Talvez seja, pelo pensamento da Daniela Cachich (CMO Pepsico Brasil) de quem sou fã declarado, sobre a sua visão de que “marcas precisam ser publishers”. Ponto para ela também.

 

Facebook, até breve

Tentando concentrar os esforços em plataformas que conversem com o público, Toddy desativará o Facebook, pois como vimos acima, é uma rede em que o jovem não está, ou se está, a interação é baixa.

Pode ser que quando esse jovem estiver na fase adulta, ele se interesse menos pelo TikTok e tenha o Facebook como algo mais usual. Ou não. É impossível prever isso, agora. só o tempo dirá, mas como sempre digo, se e 2008 dissessem que o Facebook mataria o Orkut em poucos anos, muitos dariam risada. Se em 2003 dissessem que um site, por R$ 29,90 mataria a Blockbuster, os fãs de Netflix atual também dariam risada. No mundo da tecnologia, nada é para sempre.

Não prevejo a morte de nenhuma plataforma e muito menos “um novo normal” já que esse termo já encheu, mas entendo que esse movimento do Toddy mostra que não é porque o Facebook é a maior rede do país que o publico está lá e interage lá.

O TikTok, eu particularmente não gosto, nem tenho conta e só vejo algo quando minha filha está na minha casa e insiste em me mostrar, entretanto, não há como negar que seu formato é ideal para falar com “essa molecada” cada vez mais tecnológica, influenciadora e decisora de compras.

Felipe Morais

É especialista em Planejamento Estratégico na área digital. Formado em Publicidade e Propaganda, com especialização em Planejamento de Comunicação pela ESPM, pós-graduações em Redes Sociais, pela FGV; em Planejamento, na Universidade Metodista; e Gerência de E-commerce, na E-commerce School. Com autoria do livro Planejamento Estratégico Digital, e coautoria do livro Gerente de E-commerce, atualmente é consultor da empresa Dr. e-commerce, diretor de planejamento e novos negócios da TopDeals, além de coordenador e professor da pós-graduação de Marketing Digital e do MBA de Gestão Estratégica de E-commerce da Faculdade Impacta de Tecnologia. Também ministra aulas em pós-graduações da Iladec, Faculdade Cambury e Senac, no MBA da Escola Trevisan, e realiza cursos online (iMasters, EAD FMU e Portal E-commerce Brasil) e cursos de curta e média duração (3Pontos, PS Carneiro, Miyashita Consulting, Digitalks, Quartel Digital, Internet Innovation).

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