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A jornada do beta eterno

Com a aproximação de mais um ano eleitoral, as empresas já estão na expectativa de como ficará o cenário econômico em 2019, mas espere, nem terminamos 2017 e temos 2018 inteiro pela frente, não? Não!

Muitas mudanças e novidades acontecerão ainda até o final deste ano, tenha absoluta certeza, essa é a pura e complexa realidade.

Estamos vivenciando um momento onde o tempo entre a concepção para um novo produto e/ou serviço e a sua entrada no mercado, vem sendo diminuída de forma exponencial.

Somente nesta última década com o avanço acelerado da tecnologia, empresas estão nascendo na “sexta”, na “segunda”, recebem um aporte, são absorvidas por outra, ou simplesmente desaparecem da face da terra.

É neste contexto que entra importância da jornada do beta eterno.

Esqueça aqueles intermináveis meses para analisar se realmente o seu produto e/ou serviço estão prontos para entrar no mercado, se os consumidores irão utilizá-lo, ou se alguém já pensou nisso antes.

Provavelmente alguém já pensou, mas meu amigo, entre pensar e executar, existe uma barreira abissal.

Ideias, todos temos. A diferença está em quem as materializa, não primeiro, mas de forma mais eficiente e que realmente faça sentido na vida das pessoas.

Se os fundadores do Google tivessem pensado que não poderiam concorrer com dezenas de buscadores que já existiam na internet, muito do que conhecemos e utilizamos hoje, não existiria.

Estamos falando de dois estudantes da renomada Universidade de Stanford que tinham uma ideia e uma missão: organizar as informações mundiais da rede de forma mais rápida e torná-las universalmente acessíveis e úteis a todos.

Outro exemplo é a Uber, que chegou como a salvação da mobilidade urbana em um modelo de negócio, no qual se apropria, sem nenhum ônus, de veículos particulares para montar frotas imensas de motoristas à disposição de todos.

Muitos disseram que este seria o fim das montadoras, pura fantasia. Elas não somente detém toda a tecnologia de dezenas de anos na produção destes veículos, como contam com uma rede gigantesca de engenheiros, parceiros e fornecedores.

A Uber precisa destes veículos para operar, ou seja, são intermediadores e, nesta linha de raciocínio, cada vez mais, os intermediadores estão saindo do negócio, dando lugar às relações diretas entre fabricantes e clientes finais.

Não é à toa que a Fiat Chrysler acabou de se unir à BMW e à Intel em uma aliança para produzirem carros autônomos.

 

E como fica a Uber?

Bom, ou ela começa a produzir os seus próprios veículos, ou não terá, em um breve futuro, mais veículos à sua disposição.

A Uber é só mais uma parte da jornada do beta eterno, muito maior e global. 

Seguindo estes exemplos, é preciso ter em mente, que o seu produto e/ou serviço nunca estará pronto para o mercado. Talvez ele nem terá lugar neste mercado.

Pense, que se o seu produto e/ou serviço deve se colocar no lugar do verdadeiro cliente, dando mais valor às suas experiências e também às diversidades, ele terá um lugar de destaque.

 

Agora, chega de ficar no mundo das ideias e comece a executar seus planos com estes seis primeiros passos:

  1. Projete algo para uma maratona, mas pense que os primeiros 100 metros, servirão para testar a receptividade do mercado;
  2. Evolua o modelo de negócio, afinal, ele não está escrito em pedra, ajuste, mude, ou comece novamente do zero;
  3. Entenda que as pessoas não sabem mais o que podem querer;
  4. Enxergue novas possibilidades para produtos e serviços já existentes;
  5. Simplifique o processo sempre que possível e sofistique apenas quando necessário;
  6. Funcionalidades e melhorias? Somente depois que o MVP* estiver no mercado, afinal, quem manda em sua empresa é o seu cliente, queira ou não, é ele quem vai demiti-lo no final do mês caso não goste do que disponibilizou.

 

E se tudo der errado, comece novamente sem direito a férias e 13º salário, afinal, o mundo é dos incansáveis.

Seja bem-vindo ao beta eterno.

 

* Minimum Viable Product, a versão mais simples de um produto e/ou serviço que pode ser lançado com uma quantidade mínima de tempo e recursos financeiros.

Daniel Barros

é Creative / Innovation UX na GTC - Good to Connect. Pós-graduado em Design pela Belas Artes de São Paulo, especialista em projetos focados na experiência dos usuários (U.X.), design thinking, e concepção de novos produtos e serviços para clientes como: ABN AMRO Bank, Bradesco, Honda, Intel, Mercedes-Benz, Nivea e Yahoo entre outros.

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