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Os desafios da TV Interativa

A Copa do mundo deste ano será o evento mais visto no planeta. Alem das transmissões ao vivo teremos a interação dos usuários através das plataformas de redes sociais some-se a isso um fato novo: os protestos contra os gastos para realização da Copa no Brasil.

De acordo com a pesquisa da IPSOS para o GOOGLE realizada em 2013 revelou que: dos 102 milhões de pessoas conectadas no Brasil, 63 milhões acessam dois tipos de tela (TV + PC) e 30 milhões acessam três (TV + PC + Smartphone ou tablet).  Dentre os brasileiros que acessam três tipos de tela, 27% compram on-line e mais de 30% utilizam mais de um dispositivo para concluir as compras.

O brasileiro conectado vai mostrando um comportamento cada vez mais interativo e aumentando as requisições por conteúdo on-demand. Esse é o desafio da TV. Como atender esse público cada vez mais ávido por querer assistir agora ou quando puder e não mais na sua grade.

Outro fator importante para a questão é a mobilidade que a tv não possui. Do outro lado a oferta de produtos on-demand vem crescendo.  Para os anunciantes que colocam a maior parte de sua verba nos intervalos dos programas já está mais que na hora em repensar essas ações.

Segundo estudo da Knowledge Networks 2004, 47% dos telespectadores mudam de canal para evitar os comerciais. O estudo também mostra que 75% das pessoas durante o break comercial estão interagindo seja com os presentes ou utilizando a internet via computador, tablets ou smartphones. Estarrecedor!

O número de assinantes da TV a CABO no Brasil tem crescido, resultado da  inclusão no Mercado de consumo de 40 milhões de pessoas, a chamada nova classe C. No caminho inverso, nos EUA esse número é decrescente, com o aumento da disponibilidade de banda larga e o aumento da posse de dispositivos de conexão, a tendência que é isso também ocorra no Brasil.

Para as TVs passar de um padrão de grade para um on-demand é bastante complicado porque envolve investimentos vultuosos em tecnologia e a criação de um novo modelo de publicidade não orientado pelo prime-time mas pelo interesse do telespectador

O Youtube entre outros é um excelente campo de estudos de como a publicidade na TV poderá ser feita; sempre com a permissão do usuário e não como forma de interrupção do que ele está assistindo.

A cobrança do anúncio por audiência presumida não fará mais sentido. Assim como na internet onde a publicidade em real time direcionada para o interesse do usuário, para a TV está colocado o desafio para atender às demandas individuais e não mais como broadcast.

Para as gerações nascidas na década de 90 e 2000 a TV já não é a principal mídia como forma de entretenimento.

Enquanto na internet já existe entrega de mídia direcionada baseada na navegação anterior do usuário, na TV essa realidade está um pouco distante não por falta de tecnologia o TARG.TV é uma tecnologia que foi apresentada em 2010.

Como o modelo publicitário da TV é ainda um modelo de grande faturamento, essa mudança irá demorar, mas nem por isso, as TVs devem se acomodar esperando o dia D chegar.

A COPA de 2014 por concentrar grande audiência trará mais informações sobre como as pessoas estarão assistindo na TV e interagindo via redes sociais. Para as marcas será um marco de como deverão atuar nos próximos anos. A TV ficará cada vez mais pressionada para lidar com a necessidade on-demand e de interatividade. Então como será a publicidade na TV daqui a alguns anos?

Fontes: Indicadores de Mercado – IAB http://www.slideshare.net/comunicacaoiab/indicadores-mercado-online

The knowledge Networks http://www.knowledgenetworks.com/

Nielsen Study – 2012

FOBTV – Future of Broadcast television

Targ.tv – https://www.youtube.com/watch?v=eV0oRNb6Yfw#t=104

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é consultor de mídias digitais, professor e pesquisador de internet. Foi diretor executivo do IAB Brasil, executivo do UOL, construiu sua própria Adnetwork , teve duas produtoras de sites e conteúdo, além de muitas consultorias.

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