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Taxa rosa: Pesquisa revela que mulheres pagam mais caro em produtos e serviços

De acordo com estudo da MPCC-ESPM, a diferença de preço entre produtos para mulheres e para homens é em média 12,3%

 

* Por Bianca Borges

 

Com o empoderamento feminino, as mulheres vêm adquirindo maior independência financeira e, em função disso, as empresas e as marcas estão percebendo a importância de atrair cada vez mais a atenção desse público.

Considerando a relevância da mulher para o comércio varejista online e físico no Brasil, o MPCC-ESPM (Mestrado Profissional em Comportamento do Consumidor), com apoio da InSearch, realizou a pesquisa “Taxa rosa e a construção do gênero feminino do consumo”. Inspirada no estudo americano ”Pink Tax”, feito no ano de 2015 pelo The New York City Department of Consumer Affairs (DCA)órgão de proteção ao consumidor de Nova Iorque – a apuração de dados teve como objetivo avaliar se o preço dos produtos direcionados às mulheres era mais alto em comparação a itens com foco no público masculino.

Assim como no relatório americano, o estudo nacional também constatou que, no Brasil, existe uma “taxa rosa”, nome dado à diferença de valores entre produtos para o público feminino e masculino. Em média, as mulheres pagam 12,3% a mais que os homens para adquirir produtos e serviços.

 

Categorias nas quais as mulheres pagam mais pelos produtos:

  • Vestuário: 17%
  • Vestuário de bebê: 23%
  • Higiene: 4%
  • Corte de cabelo: 27%
  • Brinquedos: 26%

 

O Sociólogo e Dr. Fábio Mariano Borges, que apresentou o estudo em evento na ESPM, no último dia 08 de março, ressaltou:  

“O interessante é que 82% das consumidoras entrevistadas nunca tinham percebido essa diferença de preço”.

 

Como as mulheres se percebem no consumo?

A pesquisa brasileira, além de analisar os preços, também visou entender como as mulheres enxergam seu comportamento de consumo. Para isso, reuniu depoimentos de 480 mulheres das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, pertencentes às classes A, B e C, e com idade entre 20 a 55 anos.
Dados apurados nas entrevistas:

  • 96% das mulheres tem a consciência de que meninas sempre usam mais acessórios que meninos;
    87% acredita que é mais caro ter uma filha que um filho;
  • 93% acreditam que é raro uma mulher ir ao shopping e não comprar nada. Esse dado apareceu com menos incidência nas mulheres da classe C;
  • 91% não resistem uma boa vitrine sem comprar;
  • 76% dizem que a mulher é consumista;
  • 83% acreditam que a mulher consome mais que o homem.

 

Essas informações demonstram que a mulher de fato se reconhece como consumista. “Se por um lado, 83% das mulheres se consideram mais consumistas que os homens, 87% delas também acreditam ser mais habilidosas na hora de fazer as compras”, afirma Borges.

Outro dado interessante é que as mulheres pertencentes à classe A possuem uma autoestima maior e demonstram ser mais independentes quando se trata de tomar uma decisão de compra. Para elas, a opinião de pessoas do sexo oposto não é tão importante quanto para as mulheres que estão na classe C.

Um exemplo disso é que a maior parte das mulheres que consideram os homens mais aptos para comprar artigos de tecnologia e que também acreditam que eles entendem mais de carros pertencem à classe C.  
 

Porque os produtos femininos são mais caros?

Segundo o sociólogo, existe uma disputa histórica pelo consumidor masculino.“Na história do varejo no final do século XIX e no início do século XX não existiam quase consumidores homens e as lojas de departamento eram, definitivamente, lugares para mulheres”, afirma Borges.

Por conta desse fator, os donos de comércio precisavam de melhores ofertas para conseguir atrair a atenção do público masculino que era, e ainda continua, um tanto desmotivado para ir às compras.

De certa maneira, as mulheres também colaboraram para dar mais força a essa tendência de encarecimento dos preços. “De fato há uma construção social do gênero feminino através do consumo, a própria mulher acredita que ser mulher é mais caro, que mulher precisa se emperequetar mais”, explica o especialista.

Não existe uma lei que impeça a cobrança diferente de preços nos produtos direcionados às mulheres ou aos  homens, por isso, para resolver esse problema, Borges dá a dica:

“O ideal seria que as consumidoras começassem a tomar uma atitude.”

 

É importante lembrar que a pesquisa entrevistou 480 mulheres das classes sociais A,B e C de três cidades específicas: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Além disso, a faixa etárias das respondentes ficou entre os 20 aos 55 anos.

 

* Bianca Borges é jornalista formada pela Universidade Anhembi Morumbi, trabalhou na Investe São Paulo com assessoria de imprensa e, hoje, atua na equipe de Conteúdo do Digitalks.

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