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Por dentro do SXSW 2018: o que esse mega evento deixa de insights para os profissionais digitais?

Profissionais do mercado digital contam suas experiências no SXSW 2018, um dos maiores eventos de inovação do mundo

 

A coluna DIGIEXPERIÊNCIA é um espaço para que profissionais de marketing e da área digital compartilhem algumas de suas vivências e insights sobre o setor. Dessa vez, conversamos com brasileiros que atuam no mercado digital e que estiveram presentes no SXSW 2018, um grande evento que reúne especialistas de áreas como marketing, tecnologia, música e cinema e  que acontece no Texas, nos Estados Unidos.

A edição do evento deste ano superou expectativas. Pelo menos esse foi o retorno que tivemos dos nossos correspondentes internacionais: Carlos Giusti – Sócio, Miguel Genovese -diretor de Criatividade e Inovação e Renato Sapiro – diretor de Estratégias Digitais, todos profissionais da PwC Brasil, que estiveram pela primeira vez no evento.

O SXSW 2018 foi mais uma edição abarrotada de ideias incríveis e de constatações de cair o queixo sobre o mundo cada vez mais tecnológico e surpreendente em que vivemos”, contaram ao Digitalks.

De acordo com Rodrigo Terra, presidente da Era Transmídia, este foi o 2° ano em que a delegação brasileira foi a segunda maior do festival, consolidando o país como grande frequentador do evento e colocando o SXSW no calendário oficial de agências, marcas, startups e produtoras de audiovisual.

Confira os depoimentos e as impressões desses profissionais a seguir:

Carlos Giusti, Miguel Genovese e Renato Sapiro, da PwC Brasil (texto colaborativo)

Dessa vez, a nossa primeira de muitas que com certeza virão, vimos um pouco de tudo: drones que transportam pessoas, impressoras 3D forjando equipamentos para missões espaciais fora da atmosfera terrestre e muito, mas muito blockchain e Inteligência Artificial a transformar radicalmente tudo – a economia, as indústrias, os negócios, os empregos, o consumo e, principalmente, as relações. Sim, as relações. Porque, admitamos ou não, queiramos ou não, lembremos disso ou não, são elas, as conexões interpessoais, o motor do nosso mundo.

Como bem disse Hugh Forrest, diretor do evento, em seu discurso de abertura, “As inovações mais importantes surgem quando diferentes pessoas de diferentes lugares se encontram”. E nada proporcionou e ainda irá possibilitar tantos encontros entre pessoas como nós, ou como você, que está lendo este texto, neste planeta cada vez mais quente, plano, estranho, interconectado e minúsculo (sim, vivemos numa quitinete chamada Terra) do que a tecnologia. O que nos resta de mais valioso entre tantos bits, bytes, quarks e quantuns do que as emoções (e entre as quais a mais preciosa é a empatia)?

Bem-vindo à Economia da Empatia! A empatia, a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, a compreensão e solidariedade mútua é o que mais nos faz humanos. À medida que a automação eliminará, inicialmente, trabalhos rotineiros, e num futuro bem próximo, a inteligência artificial irá se sobrepujar à do homem, essa habilidade tão intrínseca a todos nós se apresentará como uma verdadeira competência de sobrevivência. O blockchain e as criptomoedas, por exemplo, têm um tremendo potencial de serem os viabilizadores de uma economia realmente colaborativa e de fazer prosperar negócios locais que façam sentido num mundo em transformação expo-radical como este em que vivemos. Por que não?

As pessoas se surpreenderam com a aquisição da Whole Foods pela Amazon no ano passado, mas esse é o tipo de coisa que vamos ver de forma cada vez mais recorrente daqui para frente: uma indústria engolindo a outra à medida que as tecnologias avançam e convergem. Nesse contexto, só nos resta abandonar o pensamento linear e rígido do século 20, ter mais flexibilidade e sensibilidade, colocar a nossa humanidade na linha de frente. A maioria das empresas, na tentativa de alcançar sucesso hoje, se prende a modelos que deram certo no passado. E isso não levará ninguém a lugar algum. Afinal, inovar não é só adotar novíssimas tecnologias, é pensar diferente.

Entre tantos projetos fenomenais e palestras com lendas vivas como Ray Kurzweil e Elon Musk, a maior lição de SXSW 2018 se apresentou nas entrelinhas: a revolução tecnológica está nos empurrando para uma economia cada vez mais humana, na qual todos os atributos que não podem ser programados em software, como paixão, caráter e espírito colaborativo prevalecerão. Sim, o SXSW é para ficarmos atualizados sobre tudo o que acontece no mundo digital. Mas é muito mais. É para abrir a cabeça, refletir, fazer cócegas em nossa criatividade e em nossa sensibilidade. E nos permitir olhar tudo e todos sob uma perspectiva inesperada.

 

Rodrigo Terra, Presidente da Era Transmídia

Nas áreas de marketing e criatividade,  o SXSW 2018, como um todo, foi bem marcado pelas discussões sobre realidade aumentada e virtual, inteligência artificial e muito sobre o papel do conteúdo como ferramenta de marketing para engajar audiência e os consumidores altamente digitais. Além disso, também pautou as ativações de marcas e produtos como ferramenta de construção de experiências. O interessante das discussões foi mesmo a consolidação dos conceitos de experiências como conteúdo de marca.

Nesse quesito, a Westworld foi a campeã, com um teatro imersivo em uma cidade cenográfica, construída para as pessoas vivenciarem o parque da marca  com mais de 60 atores e mais de 400 páginas de roteiro, que, dependendo da interação que as pessoas tinham com as personagens, o roteiro mudava. Sem óculos, sem extrema tecnologia, mas altamente imersiva. Outro destaque foi a Sony WoW, pelo segundo ano, mostrando a visão da empresa para os próximos anos em pesquisas e protótipos para o mercado de entretenimento, usando realidade aumentada em diferentes aplicações, desde cubos interativos para games multijogador até experiências artísticas sensoriais com novos equipamentos de som e imagem. O Google, por sua vez, apareceu com uma casa-instalação artística, integrando todos os cômodos com sua plataforma Google Home e Google Assistant, mostrando que a Voz tem agora espaço não só para comandar máquinas, mas interagir e se divertir com elas. Muito dessa evolução tecnológica deixa de ser conversa sobre só a tecnologia em si, mas agora como empresas e pessoas podem construir experiências e contar histórias com elas.

Não tivemos, este ano, stands da NASA no Trade Show, mas muitas palestras falando como a agência espacial norte-americana usa as redes sociais e ferramentas de novas mídias para engajar o público com suas ações, falando também da responsabilidade do uso das mesmas para prestar contas à sociedade que sustenta o órgão através dos impostos. Muito bacana.

O festival de música trouxe discussões sobre a nova economia e a forma como o mercado de eventos ao vivo está se reinventando e atraindo grande público, e também como as marcas entram no diálogo efetivamente e não só “pegam carona”. Cases como o da Natura Musical foram apresentados.

Mas o principal insight nesta edição foi o entendimento sobre o fim da mudança da publicidade de formatos tradicionais para investimentos pesados em entregar o que o público realmente quer: conteúdo e experiências. Acabam-se os ads, entra o diálogo. Seja através de inteligências artificiais mais evoluídas, capazes de criarem conversas sobre valores, produtos e ideias, seja em marcas capazes de entregar valor através de investimentos em shows, programas e novos produtos nascidos já com um pensamento pós-digital.

O SXSW é uma grande convergência de ideias, pessoas, empresas e discussões.

Os assuntos se conectam, mesmo que pareçam distantes. Biotecnologia e Cidades Inteligentes dialogam com Publicidade e Novos mercados de startups.

Novos mercados surgindo transformarão as interfaces das cidades que ficarão cada vez mais inteligentes. Aqui entra o setor aeroespacial privado (no qual startups estão mandando satélites e foguetes já pensando na, não tão distante, exploração espacial como um produto viável) e a mudança paradigmática de como as empresas vão existir em cenários próximos de carros autônomos e voadores. Haverá mais tempo para pessoas prestarem mais atenção ao seu redor, nesta realidade física, mas agora com possibilidade de criar e explorar outras realidades que existem em outros planos, num mundo que se projeta pós smartphone, com computação em todo lugar e em qualquer objeto, liberando a sociedade para poder gerir melhor seu tempo e escolher cada vez mais, o que ver, quando ver e como ver.

Gostou das tendências e novidades que nossos entrevistados compartilharam aqui? Pare, pense e reflita sobre elas. Você está preparado para todas essas mudanças?

 

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