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Seremos todos velhos digitais

Dado Schneider, embaixador da Campus Party e doutor em Comunicação fala sobre a importância da digitalização

 

Quando criei o termo “digiriatria” (digi de digital + riatria de geriatria), alertava às pessoas da minha geração sobre a importância da digitalização como forma de acompanhar os pensamentos dos mais jovens e se adaptar às novas relações. Hoje, depois de alguns anos trabalhando com o termo, alerto àqueles que não se atualizaram que, infelizmente, eles já ficaram para trás.

A sobrevivência de uma pessoa mais velha hoje tem, obrigatoriamente, que passar pela digitalização. Nós que nascemos no século XX, somos no máximo imigrantes digitais, enquanto a nova geração é nativa. Eles não vivem mais a separação do online e do off-line, do real e do virtual. Eles apenas vivem e, para eles, o mundo é o mundo!

Esta geração que está aí já olha com naturalidade para o futuro muito próximo cercado por robôs e internet das coisas. E será cada vez mais comum nos depararmos com meninos de 16 anos com um grau de desempenho altíssimo que avançam na descoberta para a cura para o HIV, meninas de 14 anos que desenvolvem aplicativos para resolver a falta de água no mundo. Teremos gênios em todas as áreas. Sempre digo que parece que eles nasceram em outra galáxia. São espiritualizados, cristais raros que mudarão o mundo.

Sim, o mundo mudou bem na minha vez! Nunca na história humana os adultos tiveram que entender os jovens. Agora, nós temos não só que entendê-los, mas aceitá-los, conviver e principalmente aprender com eles. Então, vamos encarar o fato de que eles serão nossos chefes antes mesmo do que imaginamos? Isso porque, diferente de nós, as gerações nascidas neste século – que representa também um novo milênio -, erram até acertar. Não têm medo. Aplicam a experiência do game em suas vidas até avançarem de fase.

Na nossa época, a gente escalava degrau por degrau para subir na carreira. Nossa geração desejava chegar no topo com todos os aparatos de quando eu era jovem: carro da firma, secretária e escritório. O líder hoje tem que ser democrático, ouvir os subordinados. E isso é muito difícil para minha geração, assim como trabalhar em rede e delegar poder.

Mas como Darwin já dizia: “não é o maior, não é o mais rápido, não é o mais forte e sim aquele que melhor se adaptar que vai sobreviver”. Então por que os mais velhos ainda têm medo de se digitalizar? De fracassar nesta tarefa? É como o virgem diante do sexo. A primeira experiência geralmente não é boa e ele diz para si que aquilo não é para ele. Aí, em sua volta, as pessoas começam a falar que é bom e um dia surge uma pessoa que o ensina.  E ele vicia! Não consegue mais viver sem. E pronto: digitalizou!

A mentalidade, e não a idade, é o que diferencia a gente hoje. No século XX, jovem era aquele aberto ao novo, e o velho, o resistente a mudança. Eu sou uma pessoa jovem. Posso até ter uma barriguinha, mas meu cérebro é de tanquinho porque passei pelo processo de “digiriatria” e vivo uma vida normal no século XXI.

E por que eu falo tanto sobre se digitalizar? Porque um adulto hoje não pode ser igual ao do século passado. O velho antigamente era chato porque ele acreditava que não ia durar. Se a pessoa passasse de 60 anos seria bônus. Então, por que ele mudaria? Hoje, eu ainda vou viver mais umas quatro décadas. E quem vai aguentar um cara chato por mais esse tempo todo se eu não me modernizar?

 

Dado Schneider também esteve presente na Campus Party 2018 em São Paulo e, em conversa com o cientista de dados Ricardo Cappra, falou sobre a evolução da sociedade com o digital.

>>Confira aqui a cobertura desse bate-papo.

é embaixador da Campus Party e doutor em Comunicação e Campuseiro. Autor do termo “digiriatria” – uma mistura de digi = digital + riatria = geriatria – ele conta com seu invejável cérebro de tanquinho para provar que conhecimento não tem idade.

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