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Os desafios da gestão em projetos digitais

O meu envolvimento com a comunicação digital não é de hoje. Não mesmo! Desde 2002 tenho me dedicado à algum tipo de projeto web. Seis anos mais tarde, fundei a primeira empresa brasileira focada exclusivamente em WordPress.

Essa jornada empreendedora, através de uma produtora web especializada, me permitiu estar em contato com centenas de agências digitais espalhadas pelo Brasil. No ano passado, vivi uma experiência incrível ao visitar 130 delas (em 15 capitais brasileiras) e conhecer de perto seus desafios em gestão de projetos digitais.

O conhecimento sobre “desafios” tem seguido adiante e ido ao encontro da realidade de outros continentes, como a Europa e Ásia, uma vez que tenho trabalhado em conjunto com agências de países lá localizados.

De uma forma simplificada, classifico as agências em cinco tipos:

  1. “Eugência”, Consultores de Marketing;
  2. Agência pequena, sem equipe de desenvolvimento própria;
  3. Agência pequena, com equipe de desenvolvimento própria;
  4. Agência média/grande, sem equipe de desenvolvimento própria;
  5. Agência média/grande, com equipe de desenvolvimento própria.

 

Cada uma delas tem seus respectivos desafios, mas todas enfrentam uma realidade semelhante ao lidar com os mais variados tipos de projetos.

Consultores de marketing ou agências pequenas sem equipe de desenvolvimento própria terceirizam todo o desenvolvimento. Neste cenário, é comum não terem nenhum especialista técnico e contarem com parceiros de confiança.

As agências pequenas, com equipe de desenvolvimento, lidam com a terceirização de forma semelhante às médias/grandes, também com desenvolvedores. Elas buscam parceiros quando estão sobrecarregadas ou quando a demanda foge do conhecimento da equipe interna. Caso isso não aconteça, o time resolve as questões pontuais e sustenta a base de clientes.

No entanto, agências maiores (seja com ou sem equipe de desenvolvimento própria) possuem profissionais técnicos mais qualificados para lidar diretamente com os terceirizados e, ao mesmo tempo, serem suporte para os gestores de projetos da empresa.

Esses profissionais são líderes de desenvolvimento, arquitetos de softwares, coordenadores ou diretores de tecnologia.

 

Os desafios clássicos

Entregar com qualidade, cumprir os prazos e manter uma comunicação fluida são os grandes desafios das agências na condução de projetos digitais. O esforço é o mesmo quando o job é realizado dentro de casa ou com terceiros.

Entregar com qualidade exige uma boa revisão do escopo do trabalho recebido. Profissionais ou parceiros qualificados diminuem os esforços nessa direção, no entanto, o clássico Q.A. se faz necessário para termos um olhar mais crítico, de quem não está há dias envolvido com os códigos e interface.

Qualidade está intimamente ligada ao prazo

Cumprir os prazos é o desejo primário de todos os stakeholders do projeto. Manter um time dedicado e mapear todos os riscos é crucial para o sucesso. Quando imprevistos e contratempos acontecerem é necessário negociar para definir, em conjunto, o melhor caminho a ser seguido.

O grande desafio de comunicação em projetos digitais é manter os envolvidos falando a “mesma língua” sobre a tecnologia envolvida, as técnicas de marketing, os conceitos de design e UX a serem aplicados e os objetivos do negócio.

Sobre profissionais envolvidos em produtora web

Quando se pensa nos profissionais alocados em produtoras web, o primeiro pensamento é voltado aos desenvolvedores front-end e back-end. No entanto, os tipos de profissionais podem ir além, de acordo com cada produtora.

Profissionais dedicados à “qualidade” são essenciais para ajudar na revisão e controle de qualidade (evidente! rs) das demandas e, assim, atingir a expectativa. Este profissional auxilia tanto no sentido de garantir a fidelidade de layout, quanto a experiência do usuário.

Gestores de projetos também são profissionais essenciais, já que é comum produtoras web executarem diversos projetos simultaneamente. Logo, os fluxos e processos precisam ser bem coordenados para garantir uma boa condução dos projetos em execução.

Voltando ao time de desenvolvimento, essa galera tem se popularizado um perfil de profissional denominado “full-stack”. Para quem não conhece a terminologia, compreenda-a de forma fácil considerando um profissional generalista, aquele cara que sabe um pouco de tudo (às vezes, “muito” de “nada”). Ele pode ser extremamente competente, dominando várias áreas com sólido conhecimento ou supérfluo, da modinha e que se tornou full-stack de uma hora para outra, em função de oportunidades de “carreira” (e põe aspas nessa palavra!).

Particularmente acho muito desafiador um profissional se envolver com muita expertise nas diferentes áreas, isso pelo fato de que elas não estão muito correlacionadas. Observe a ilustração abaixo para entender meu raciocínio

 

Alguns designers conseguem ir além do recomendado e se envolverem com a área de front-end. Os desenvolvedores front-end conseguem absorver conhecimentos visuais (cores, tipografias, etc.) e de programação de linguagens server-side. Já os back-end podem compartilhar conhecimentos com as áreas de front-end e SysAdmin. Este último, entretanto, com as áreas de back-end.

No entanto, os profissionais SysAdmin e back-end têm muita dificuldade com a área visual. Combinar fundo verde com cor de fonte amarelo gritante, por exemplo, não é legal. Assim como os profissionais de criação (e alguns front-end), têm muita dificuldade ao lidar com o terminal e questões relacionado ao sistema operacional, servidores e softwares correlatos.

 

Líder de projetos em agências

Gestores de projetos precisam (e devem!) dominar as diferentes áreas de conhecimento da gestão, e usá-las como suas ferramentas de trabalho no dia a dia. Se essa sagacidade for somada a determinado grau de envolvimento tecnológico, temos o cenário ideal. O líder de projeto precisa conhecer o mínimo sobre tecnologia, mas quando isso não ocorre é preciso ter respaldo interno da agência para auxiliá-lo.

A matriz abaixo define o “dream team” para atuar com os desafios da gestão de projetos digitais, tanto na agência quanto na produtora web. Ou seja, do lado da agência, o que se espera é um gestor com conhecimento técnico; do lado da produtora web, um técnico com liderança de projetos.

 

Superação de desafios

Gerenciar projetos digitais realmente é uma tarefa desafiadora, seja um projeto que já nasceu em uma produtora web, ou os que chegam por meio de parceria com agências. Contudo, quanto maior o desafio, maior também o estímulo. O conselho que deixo à vocês é buscar sempre fazer avaliações rápidas, entregas parciais, manter agilidade e eficiência  na comunicação e deixar todas as equipes alinhadas para garantir que o cliente exceda as expectativas.

é uma das grandes referências de WordPress no Brasil, entusiasta e evangelista da plataforma. CEO da Apiki, empresa especializada em WordPress, já liderou grandes projetos para empresas como Grupo Abril, Buscapé Company, Grupo Estadão, FIRJAN, iMasters, Walmart, Wizart, E-Commerce Brasil, Saraiva, Digitalks, VTEX, Cenibra e outros.

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