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O que o mercado chinês tem a nos ensinar

Foto. Ponte iluminada com prédios atrás. Na frente da ponte, do lado esquerdo da imagem, uma construção típica chinesa. A ponte está em cima de um rio e a foto da cidade foi tirada à noite.

Eles utilizam suas dores. Praticamente todos os casos de ideias inovadoras surgiram a partir de uma necessidade do seu criador. E, geralmente, essa “dor” é comum a um grupo de pessoas, portanto vale a pena investigar um possível mercado para isso.

A JD.com, empresa criada pelo Richard Liu e avaliada em U$55,7 bilhões em 2017, surgiu da necessidade de facilitar a compra de remédios para sua avó, uma vez que sua família morava numa região pobre. A princípio Richard queria somente ganhar dinheiro para poder comprar os remédios, porém, durante uma grande crise de saúde que ocorreu na China ele percebeu que seu negócio poderia se tornar só online e que isso poderia facilitar a vida de muitas outras pessoas que também tinham dificuldade de acesso a diversos produtos.

Eles fogem dos grandes centros. Muitos vilarejos sofrem com o envelhecimento da população e migração de jovens para cidades maiores. A TaoBao, uma das maiores plataformas de e-commerce, hoje, pertencente à Alibaba, criou um segmento que ficou conhecido como TaoBao Villages. Trata-se de pequenos vilarejos que passaram a utilizar a plataforma para vender, praticamente, toda sua produção local pela internet. Isso permitiu que comerciantes de pequenos vilarejos, antes limitados geograficamente, pudessem lucrar online. Hoje, são mais de 2.100 TaoBao Villages que geram 19 bilhões de dólares por ano e 1,3 milhões de empregos.

Trazendo isso para nossa terra, 24% da população vive em área urbana, segundo senso do IBGE de 2010. Ainda há cidades que são consideradas urbanas, mas com difícil acesso aos serviços de entrega ou que sofrem com falta de infraestrutura. Está aí um exemplo de mercado ainda não explorado.

Eles não são convencionais. Muito antes da Amazon testar entregas com drones, a JD.com já iniciava o uso dessa tecnologia para facilitar o acesso das pessoas aos serviços online.

No Brasil, os mercados que entregam os produtos diretamente na casa dos consumidores ainda são uma tendência, mas já estão bem consolidados na China. A Hema, uma rede de mercados pertencentes à Alibaba, faz as entregas em até 30 minutos. E ela entrega desde vegetais frescos à peixes vivos. Até mesmo produtos exóticos, como o caranguejo gigante do Alasca. Esse modelo de compra é de três a quatro vezes maior do que as vendas feitas na loja física.

Fazendo o link novamente com nossa economia, quantas produções regionais e locais estão aguardando um facilitador para prosperarem?

Pelo seu tamanho e população de quase 1,5 bilhão, a China é um grande laboratório tecnológico e nos mostra muitas vezes um pedaço do futuro. As compras pelo mobile na China crescem duas vezes mais rápido do que nos EUA.

Se em uma economia tão consolidada e ainda crescente, como a da China, é possível inovar, imagine o que podemos fazer em terras brasileiras.

estuda Processos Gerenciais pela Anhembi Morumbi e atua como product owner da Locaweb Pro, com foco em agências digitais e desenvolvedores. Gosta de escrever à mão e passar pro digital depois. Geek por natureza e ligado a tudo que é novidade.

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