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O que o case do “Kit Saúdável de Páscoa” pode ensinar para os empreendedores e marqueteiros

A ideia do “Kit Saudável” foi muito boa, porém incompleta e mal aplicada e é sobre isso que quero falar neste artigo

 

Fomos pegos de surpresa com a ação de páscoa feita pela Prefeitura de Duque de Caxias. O que deveria ser um “Kit Saudável de Páscoa” no melhor estilo Masterchef e com a total aprovação da Bela Gil, virou uma grande piada nas redes sociais e frustração para as crianças que foram premiadas com o combo.

A moral da história foi a compra de uma quantidade imensamente maior de Cenouras pela prefeitura. Até então, eles poderiam usar nas merendas e tudo mais, porém o legume começou a estragar e daí surgiu a urgência de se desfazer dele de maneira criativa e que, de preferência, gerasse um engajamento da população.

A ideia do “Kit Saudável” foi muito boa, porém incompleta e mal aplicada e é sobre isso que quero falar neste artigo. Não pense que estou tratando de política ou algo do tipo, esse exemplo das cenouras nos mostra o que algumas empresas vêm passando ao querer vender determinados produtos e serviços.

Quando vamos lançar um produto ou serviço no mercado, devemos nos atentar a quem ele é destinado, o que ele soluciona, como ele é entregue e etc. No empreendedorismo, usamos o modelo Canvas para lançar algo, mas quero ir além desse modelo para explicar como o “Kit Saudável” deveria ter sido explorado.

Hoje, estamos vivendo um modelo de mercado Fast, tudo é rápido e interativo e, por isso, devemos tomar cuidado para não se perder no lema do Carpe Diem: “Aproveite o dia”. Esse foi o lema da decadência da Roma Antiga, quando tudo estava se esvaindo e a ideia era: aproveite o dia e faça o que puder!

As empresas estão se baseando nesse lema e lançando produtos e serviços na pressa do resultado, sem se atentar em estruturar um processo composto para essas soluções. No mundo ideal, essa ação do “Kit Saudável” deveria ser complementada com um Ovo de Páscoa ou um chocolate, o tal Kit deveria ser um plus, servindo de ação estratégica para engajar o público, população. É exatamente o complemento que vem faltando para gerar o sucesso esperado em algumas marcas/empresas. Algumas tem um produto bom, mas uma equipe de vendas ruim; outras, o inverso e assim segue.

Um dos fatores primordiais no mercado é a área Comercial. Como está a motivação da sua equipe? Seus executivos estão empenhados em levar uma solução ou produto que realmente atenda ao cliente ou apenas estão cumprindo agenda e tomando café?

Temos empresas que tratam suas áreas comerciais como linha de produção, atuam com metas de reuniões insanas e cobram resultados imediatos. Na minha opinião, o executivo moderno se tornou um consultor, uma pessoa que leva uma solução composta de produto, ideia, bom atendimento e follow up. Esse tipo de executivo consultor é o que, em médio e longo prazo, fará não só o faturamento da empresa subir, mas fará a empresa ser uma referência em
atendimento no mercado. Por outro lado, o executivo “linha de produção” está fadado a fazer e ter ações desesperadas para trazer o resultado imediato, isso pode até gerar vendas, porém também irá gerar um desgaste ao ponto que promessas, atendimento, ideias e resultados não forem entregues.

Hoje, estou à frente de equipes de vendas que são completamente diferentes da escola que vivi anos atrás. Fui treinado para ser uma máquina, marcar cinco reuniões por dia, trazer no mínimo três briefings; caso não tivesse a reunião, deveria fazer 35 ligações e através delas trazer o briefing.

Confesso que vendia muito, porém os valores das campanhas eram bem menores do que hoje, que tenho uma atuação estratégica, reuniões com objetivo real e com pessoas que realmente precisam do meu produto/serviço. Nesse mercado atual, devemos estudar bem o cliente antes de sentar à sua frente e apresentar algo: não faz mais sentido usar um power point de 30 slides se o cliente tem aderência em uma solução que está na lâmina 27.

Essa ação do “Kit de Páscoa” teve uma excelente iniciativa, receita de bolo, ingrediente com aderência ao período sazonal, porém faltou o essencial, e isso me lembra de uma frase que ouvi anos atrás que dizia o seguinte: “Tenho tudo o que preciso, só me falta o necessário” e, nesse caso, o necessário seria o Ovo de Páscoa ou o chocolate que faria toda a diferença para as crianças, e com certeza geraria um ótimo engajamento, talvez até se tornando case de
sucesso.

A mensagem que deixo é: pensem em seus Produtos/Serviços como soluções para o cliente, estudem a marca, olhem pelo prisma do cliente para levar algo necessário. Muitas vezes, menos é mais e isso faz toda a diferença para gerar uma venda. E quando for fazer uma venda, pense que é necessário vender e atender o mesmo cliente mais de uma vez.

Maurício Montanha

é Marketeiro, Historiador, Palestrante e Head Latam da L2AD. Atua no mercado de mídia digital a 10 anos, sua trajetória tem como destaque passagem em agências de publicidade como África e DPZ, além de ter atuado na estratégia de vendas da Folha de S.Paulo.

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