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O impacto das “máquinas pensantes” nos negócios

Com os avanços tecnológicos, a inteligência artificial (IA) vem se tornando cada vez mais preponderante no ambiente de negócios. No médio e longo prazo, esse processo de transformação será ainda mais presente, com impactos em relação à competitividade e concorrência entre as empresas.

Muitos líderes empresariais estão cientes do valor potencial da inteligência artificial, mas não estão preparados para usufruir seus benefícios. Segundo a pesquisa global QI Digital, da PwC, 54% dos executivos entrevistados estão fazendo investimentos significativos em IA, porém, apenas 20% consideram que suas empresas possuem as condições necessárias para serem bem-sucedidas em suas aplicações.

Recursos como a robótica, internet das coisas e machine learning estão provocando disrupções em cadeias inteiras de produção. A sofisticação obtida por meio da análise de dados permite um processo de tomada de decisões mais assertivo, além de abrir oportunidades de negócios.

A principal diferença entre os softwares em geral e a inteligência artificial é a fase de execução. A IA torna as máquinas capazes de responder sozinhas a ações não controladas por programadores e, portanto, não previsíveis, pois existe um constante aperfeiçoamento e aprendizagem que proporciona esse tipo de recurso.  Machine learning, habilidade do software de melhorar suas respostas a partir da análise das interações provenientes dos dados, é talvez a aplicação de IA que vem crescendo mais rápido, conforme a indústria e suas utilizações.

Os softwares de agregação de notícias, por exemplo, há muito tempo se baseavam em processos rudimentares de IA para fazer a curadoria de assuntos baseados na demanda dos usuários. Depois evoluíram, analisando também hábitos e registrando a maneira como as pessoas selecionam textos e o tempo que dedicam à leitura para ajustar as buscas. O passo seguinte foi agregar os usuários de acordo com seus interesses e hábitos de leitura. Agora, estão incorporando informações sobre as mudanças nas preferências de leitura ao longo do tempo para antecipar o que desejarão ler a seguir. Em breve, os agregadores de notícias conseguirão identificar notícias falsas ao detectar inconsistência nas informações e redirecionar o usuário para outras alternativas.

Vários outros setores também serão influenciados por essa nova era tecnológica. O mercado global de carros autônomos, por exemplo, deve movimentar cerca de US$ 87 bilhões até 2030, de acordo com projeção da Lux Research. Estima-se que os negócios relacionados à robótica irão se expandir de forma exponencial. As startups voltadas para esta área vêm recebendo grande parte dos investimentos dedicados a empresas iniciantes.

As novas tecnologias também exercem um papel fundamental em relação a uma série de atividades no cotidiano das organizações. Os departamentos de finanças, recursos humanos, vendas e marketing, entre outros, vêm otimizando sua performance por meio da utilização eficiente da análise de dados e outros avanços tecnológicos.

Outro aspecto relevante é a possibilidade de resolução de problemas e desafios proporcionada pelo desenvolvimento de novas ferramentas, com resultados positivos em diversos setores de produção. Por meio do uso de drones, combinado a métodos de deep learning, é possível aumentar a eficácia no cumprimento do cronograma das várias etapas da construção civil e aprimorar a qualidade do serviço entregue. No segmento de óleo e gás, os novos sistemas controlarão processos em tempo real, aumentando a segurança, a confiabilidade e o rendimento de poços petrolíferos. No varejo, soluções inovadoras identificarão os produtos que devem despertar o interesse dos clientes e impulsionar as vendas.

Muitas empresas já compreenderam que, para crescer de forma sustentável e competitiva nesse novo cenário, é necessário analisar e colocar em prática um conjunto de estratégias e competências. Alinhar o planejamento às possibilidades advindas da tecnologia, manter o foco no portfólio de iniciativas que realmente trarão competitividade à empresa e estabelecer parcerias com organizações que estejam a par das inovações mais impactantes são algumas iniciativas fundamentais neste processo.

As organizações que souberem analisar as transformações disruptivas provenientes da tecnologia e utilizá-las em prol de sua expansão e da conquista de novos clientes, certamente terão vantagem competitiva e estarão preparadas para enfrentar os desafios de um ambiente pontuado por rápidas mudanças.

Tomás Roque

é sócio da PwC Brasil e especialista em Analytics.

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