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Metaverso: evolução ou hype? – Um pouco das discussões do Metaverse Summit Paris 2022

Ambiente em construção, é importante perceber que o metaverso não é uma hype com início, meio e fim previsíveis ou decretados. 

 

Nos dias 16 e 17 de julho, a Station F, maior centro de startups do mundo, localizado em Paris, recebeu o Metaverse Summit. O evento internacional abrigou, durante 2 dias, uma ampla variedade de atividades, incluindo palestras e workshops dos principais empresários e especialistas mundiais desse novo mercado, além de competições entre startups, mostra de projetos, e demais oportunidades de networking com empreendedores e investidores.

Pode parecer contraditório um evento presencial para discutir tendências e evolução da realidade imersiva, interativa e hiper-realista. Porém, apesar do termo metaverso ser um dos verbetes mais buscados da internet desde o último ano e ser considerado a tendência natural de inovação das redes sociais digitais, a necessidade de atração de novos públicos, especialmente do mundo dos negócios, justifica tal iniciativa de marketing. E há muito o que ser feito para promover a interação entre os mundos reais e digitais. Além das ações já tradicionais que acontecem em eventos de negócios, o Metaverse Summit promoveu um evento paralelo imersivo, exclusivo para palestrantes, patrocinadores, investidores e VIPs no Atelier des Lumiéres, meca da arte digital na capital francesa.

O fato do termo ser um dos mais buscados na internet nos apresenta duas importantes realidades: a curiosidade e o, ainda, desconhecimento sobre o tema. A novidade do assunto, combinada com a diversidade de oportunidades, provoca, mesmo entre os especialistas, a ausência de um consenso sobre uma definição única do conceito, natural de um mundo, literalmente, em construção.

Phygital Commerce

Mesmo o metaverso ainda não sendo um conceito ou até mesmo um ambiente mainstream, o Metaverse Summit apresentou debates interessantes entre profissionais do meio. Por exemplo, para discutir sobre Phygital Commerce e a jornada do consumidor, a mesa de discussões trouxe visões de marcas tradicionais, como do grupo Casino (rede de varejo francesa com atuação global, que, no Brasil, é controlador do Grupo Pão de Açúcar), da gigante multinacional canadense de e-commerce Shopify, além de outros especialistas setoriais.

Apesar das definições ainda em construção, Phygital é o termo utilizado para se referir a um item com presença na vida física e digital ao mesmo tempo. Até algum tempo atrás, o comércio físico e online podiam ser tratados de forma separada. Com a transformação digital atual e a percepção do mercado que se trata do mesmo consumidor nos dois ambientes, a tendência é entregar aos clientes novas e diferentes experiências, com a presença de marcas em produtos físicos e digitais simultaneamente, além de ações de marketing que possam impactar o mesmo target de forma híbrida. Como exemplo: ações no metaverso com vantagens no mundo físico, e-commerce de produtos tangíveis que recomenda compra de NFT no checkout, entre outros.

De toda forma, como em todo mercado incipiente, as iniciativas são realizadas para gerar experiência aos early adopters e fazer experimentos com a nova realidade. E se percebemos, nas atividades atuais de marketing digital, o conteúdo como rei e os dados primários e secundários como principais ferramentas de decisão, a jornada do consumidor phygital pode apresentar uma quebra de paradigmas no futuro, fazendo com que a construção de comunidades seja o mantra a ser seguido.

Interoperabilidade

Sendo a construção de comunidades um dos maiores objetivos do mercado metaverso, a palavra mais ouvida durante o final de semana em Paris foi: interoperabilidade.

Tal preocupação se dá por uma razão: ao contrário do que o leitor pode imaginar, não existe apenas um metaverso e, sim, vários metaversos distintos. E, se uma das características do metaverso é promover a verdadeira propriedade digital, torna-se essencial construir pontes que integrem as diferentes plataformas, seja para apenas promover uma “viagem” entre realidades ou, até mesmo, para possibilitar a portabilidade de ativos e produtos digitais entre os diferentes metaversos.

Web2 x Web3

Nos próximos anos, o que acontecerá primeiro? Metaversos de empresas Web2 (Facebook, Fortnite, Roblox, etc) ou Web3 (Sandbox, Decentraland, OpenSea, etc)?

Entre os metaversos Web2, encontramos grandes empresas de tecnologia construídas em modelos de negócios suportados por publicidade contextual para sua grande base de usuários. Já na Web3, os metaversos são construídos com tecnologia blockchain desde o início. Na maioria dos casos, essas organizações Web3 ainda são empresas com autoridade centralizada, equipes de gerenciamento e investidores, mas estão construindo produtos blockchain com os princípios centrais da Web3, entre eles a propriedade descentralizada, a disponibilidade e a transparência.

O envolvimento dos usuários no processo criativo – algo essencial na construção de comunidades – e a real propriedade de bens digitais representam vantagem para os metaversos Web3. Por outro lado, os gigantes da tecnologia da Web2 têm em suas bases de usuários uma vantagem significativa na experiência do cliente, assim como seus ecossistemas, recursos internos e sofisticação técnica.

Oportunidades

O Metaverse Summit, na Station F, apresentou também expositores e startups com seus projetos para atenderem diversas demandas do mercado metaverso, especialmente, os que apresentam soluções de interoperabilidade. O evento contou com outras inúmeras propostas inovadoras, como gateways financeiros para integrar os mundos reais e digitais, produtos de interações do metaverso com o mundo real (hiper-realismo inspirado no conceito PokemonGo), organização de eventos no metaverso, entre outros modelos de negócio.

Além disso, a relação do mercado metaverso com o de games e jogos eletrônicos é intensa e, até certo ponto, natural, considerando os produtos atuais e anteriores do próprio mercado. Tal sinergia pode representar uma adesão ainda mais rápida das gerações Y e Z, e, até mesmo, ser o ambiente nativo da Geração Alpha. Isso pode, eventualmente, confirmar a previsão que o metaverso é a evolução das relações humanas em redes sociais digitais.

Ambiente em construção, é importante perceber que o metaverso não é uma hype com início, meio e fim previsíveis ou decretados. O que já é realidade para um segmento pode se tornar mainstream em breve. E o tempo para isso acontecer dependerá da massificação de tech stacks necessários para entregar melhor experiência para o público.

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Fernando Antunes

professor, palestrante e profissional de marketing com mais de 20 anos de experiência em atividades de gestão e ensino. Na sua carreira, atuou em empresas como Lojas Americanas, Postercope Brasil, Itaú-Unibanco, Universidade Católica de Brasília, IESB / Istituto Europeo Di Design, entre outras, além de atuar em projetos para Coca-Cola Brasil, Vivo, Sportv e Comitê Olímpico Brasileiro. Mestre em Inovação, Marketing e Estratégia (UnB), publicitário formado pela ESPM, pós-graduado pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas, Fundador da BMS (Brasília Marketing School), atualmente se dedica à consultoria e projetos de marketing com orientação tecnológica no Brasil e na Europa. Entusiasta da tecnologia Blockchain e suas aplicações, Fernando participou do OECD 2019 Global Blockchain Policy Forum além de ser convidado para palestrar em eventos nacionais e internacionais de marketing e tecnologia em Dubai, Toronto, Barcelona, Praga, Lisboa e diversas outras cidades.

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