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Marketing Inteligente ou Marketing Artificial?

Tenho acompanhado de perto as discussões sobre as mudanças que a Inteligência Artificial (IA) trará para o Marketing. Fico maravilhado com as infinitas possibilidades que irão se abrir conforme o uso dessas tecnologias se tornarem comum para a maioria da população.

Interações que antes eram feitas por balconistas, call centers, atendentes de lojas, caixas de supermercados, etc, passarão a ser realizadas por máquinas, monitoradas integralmente e com todo o histórico do que foi “conversado” com essas máquinas.

Além desse ponto, temos também as diversas buscas que antes eram repartidas entre buscadores versus familiares/amigos, através de consultas por telefone ou messengers, e cada vez mais serão substituídas por buscas nos seus Personal Assistents, como Siri, Alexa da Amazon Echo, Google Home…entre outros. E, com isso, um super arquivo completo com todas suas preferências e tendências.

Junte a Inteligência Artificial para análises de dados e o Machine Learning aliado a muitas análises e estudos feitos por marqueteiros e pronto, está aí uma nova receita que irá mudar a experiência de marketing atual.

Trabalho atualmente com tracking para Apps, e vejo que nosso próximo passo natural será o tracking de Personal Assistants. Obviamente que ainda tem muita lei e preocupações com quebra de privacidade que precisam ser definidas.

Mas vamos dizer que tudo isso já tenha sido resolvido, e que as empresas poderão trackear tudo, desde que não seja identificado o indivíduo. Da mesma maneira como funciona hoje em dia com Cookies e ou Mobile Advertising IDs. Fiquei pensando em alguns exemplos de como essas novas tecnologias irão impactar nosso dia a dia:

 

Ramo da saúde:

No ramo da saúde consigo pensar em dezenas de possibilidades:

  • Se um Personal Assistant escutar você tossir ou espirrar por mais de X vezes ao dia, ele pode oferecer uma publicidade patrocinada de alguma empresa de saúde;
  • Sempre tem o lado negativo da IA também, onde a máquina irá perceber se um indivíduo está fazendo diversas pesquisas para uma determinada doença e com isso diminuir o “ranking” desse usuário para contratações de planos de saúde, seguros de vida, etc;
  • Empresas farmacêuticas ou de cosméticos (e até mesmo de moda) poderão fazer publicidade para pessoas que utilizam ferramentas como o novo Echo Look, da Amazon. Um recurso que une Foto/Vídeo a uma Inteligência Artificial que ajuda você a escolher sua roupa e, com isso, você acaba expondo também o seu rosto, e a sua saúde para a câmera.

 

Ramos de transportes

  • Empresas de transportes, seja de aluguel de carros, de motorista particular ou táxis, poderão facilmente prever se um usuário está prestes a se deslocar, e poderão até mesmo ‘entender’ se o usuário irá precisar de um carro, uma bicicleta, ou um motorista;
  • Obviamente, tem também o grande sonho de consumo de todos, os self-driven cars, que poderão nos guiar para um restaurante sugerido através de um comando como: “me leve para um restaurante japonês a menos de 2 km.” E o carro, poderá levar o passageiro para um restaurante patrocinado.

 

Ramo do varejo:

  • No varejo há sempre muita especulação e polêmica em relação ao possível desaparecimento das lojas físicas por conta do crescimento das lojas virtuais, os e-commerces;
  • Independentemente dessa disputa, a Inteligência Artificial com certeza trará benefícios, principalmente para os comércios mais tradicionais como feiras-livres (com venda de frutas, verduras e legumes) e também para os supermercados. Mesmo com toda tecnologia disponível, ainda é uma minoria de pessoas que fazem essas compras online. Grande parte da população ainda continua a fazer compras da mesma maneira que a humanidade fazia há milhares de anos. E, com a IA e também com a realidade aumentada, isso deve mudar bastante. As possibilidades são tantas que achei melhor nem listar apenas um ou dois exemplos, mas sim deixar uma pergunta no ar: você iria para um supermercado, mesmo se o supermercado pudesse aparecer integralmente na sua sala de estar? Com exatamente a mesma experiência, claro.

A única certeza de tudo isso é que empresas que cada vez mais entenderem o que o usuário quer, às vezes até antes mesmo dele pedir, irão ganhar muita vantagem competitiva. E, para isso, a única solução é coletar e analisar os dados disponíveis digitalmente, o que só tende a aumentar e crescer com a introdução da Inteligência Artificial no mercado.

Ricardo Feldman

é Diretor de vendas na Adjust.

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