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Inovação, Transformação Digital e o Capital Humano

Imagem: Paepl desenhado com lâmpada em cima. Capital Humano.

É inegável que a Transformação Digital tem impactado muito a dinâmica do mercado. Ela impulsionou uma grande onda de inovações e transformações que culminaram na já conhecida Quarta Revolução Industrial.
Esse movimento teve o epicentro no mundo corporativo, pois nasceu dentro das empresas e se expandiu para o mercado consumidor. As mudanças todas que temos acompanhado foram viabilizadas pelo surgimento e aprimoramento de inúmeras tecnologias, como: Computação em Nuvem, Inteligência Artificial, Big Data e Internet das Coisas.

Sabemos que as adaptações interferem na forma como o negócio é gerido, como produtos são concebidos e, também, como os consumidores são impactados e como podem influenciar o seu negócio. No entanto, pouco se fala sobre como o público interno de uma empresa é afetado, ou seja, de que forma os funcionários das empresas reagem às transformações. Defendo que devemos nos ater também sobre como a área de Recursos Humanos  deve recrutar, reter e capacitar seus talentos para que eles estejam prontos para os desafios que já estão aí.

A discussão sobre o capital humano é fundamental para que se possa criar um ambiente propício ao desenvolvimento da companhia e também para que os funcionários possam estar em acordância com os demais públicos. De nada adianta ter uma estratégia de posicionamento de mercado muito bem apurada, um tratamento impecável com a imprensa, um orçamento invejável para inovação e até produtos disruptivos… se as políticas de RH não estão em sincronia.

É importante lembrar que os funcionários podem também compor demais públicos da empresa, como acionistas, comunidade e até consumidor. Portanto, qualquer dissonância no tratamento será sentida e seguramente afetará o desempenho do colaborador se a distância percebida for muito grande. Em resumo, não adianta olhar o mercado e os consumidores sob o viés da transformação digital e continuar tratando o ambiente interno e seus funcionários como se ainda estivéssemos no século XX.

Se o ponto inicial da transformação é o interior das empresas, a propagação dessa onda deve atingir inicialmente o grupo que está mais próximo. Ocorre que o que vemos na prática é o oposto. Empresas preocupam-se primeiramente em mostrar para o mundo externo que já estão alinhadas com a 4ª Revolução Industrial e estão mais digitalizadas do que nunca. O mercado recebe bem o posicionamento, mas o reflexo interno desse esforço deliberado para o exterior pode ser prejudicial.

Os funcionários de todos os setores serão propulsores da transformação e, mais do que isso, serão evangelizadores da própria empresa. Além, claro, de continuarem sendo consumidores, acionistas ou outro público de interesse. Para um olhar mais apurado, recomendo que as ações simples que estão detalhadas abaixo sejam contempladas em qualquer plano de inovação e transformação digital.

 

Engajamento da gestão:

Guiar o processo de inovação não é mais uma tarefa exclusiva do CEO ou do líder da área de TI, conhecido como CIO. Garantir a execução de uma estratégia de digitalização implica no envolvimento de todas as áreas. Portanto, comece engajando TODOS os líderes de sua empresa: Recursos Humanos, Marketing, Comunicação, Operações, Vendas, Finanças e qualquer outra área existente. O alinhamento e sincronia entre todos os gestores é o que fará as mudanças cascatearem.

 

Orçamento:

Considere que seu plano de Transformação Digital precisará de investimentos em RH. Não basta somente elencar os custos de infraestrutura, consultoria externa ou marketing. É preciso separar um orçamento para Recursos Humanos para investimentos em recrutamento, capacitação, retenção, endomarketing, pesquisas de clima, alteração de benefícios e até mudança de layout.

 

Flexibilidade:

Empregados desejam mais mobilidade dentro das empresas. Assim como os seus consumidores, o público interno é facilmente assediado por outras ofertas e se fixa mais pela cultura da empresa do que pelos seus salários. Portanto, busque viabilizar um programa de rotação e promoção mais flexível, sem as ultrapassadas “travas” para transferência. Desburocratize a ascensão ou transferência de interna de seu colaborador.

 

Influenciadores internos:

Toda nova tecnologia possui os chamados earlier adopters que são as pessoas que adotam a novidade antes dos demais e com mais facilidade. Identifique em seu quadro de funcionários quem são essas pessoas. Os ealier adopters internos devem ser trazidos para próximo da gestão, treinados e incluídos nos processos de transformação digital. Eles serão os seus influenciadores e terão o papel fundamental de entusiasmar e educar os seus colegas de trabalho.

 

Diversidade e Inclusão:

Se o mercado é global e plural… porque a sua empresa continua homogênea? Procure compor suas equipes com o máximo de diversidade, buscando os mais diversos espectros: gênero, orientação sexual, raça, formação acadêmica, experiências anteriores, PCD, etc. Não olhe para esta ação como um trabalho social, embora seja lei em alguns cenários. A pluralidade é estratégica, pois já está mais que provado que empresas que investem em Inclusão e Diversidade são mais competitivas, ágeis para adoção de tecnologias emergentes e, principalmente, mais lucrativas.

A transformação digital representa também uma transformação cultural no ambiente interno, o qual não deve ser subestimado. Não importa o quão complexa é a sua estrutura, quão caras são as suas tecnologias ou qual o market share do novo produto lançado. Você sempre terá capital humano envolvido! Nos dias atuais, inovação e transformação digital não existem sem a tecnologia. Por outro lado, a tecnologia seguramente jamais existirá sem as pessoas.

Myrtna Kumov

Gerente de Marketing Latam na Amazon AWS.

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