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Inovação Tecnológica, eu preciso realmente disso?

Muitas organizações estão simplesmente investindo em inovação tecnológica apenas para cumprir um protocolo de tendência corporativa

 

Foto. Homem de cabelo curto veste um óculos de realidade virtual. Em suas mãos ele está com sensores de realidade virtual também. Tanto o fundo da imagem como o homem estão com filtro azul.

É crescente o número de empresas destinando crescimento exponencial de investimento para chegar em soluções inovadoras, sendo que muito desta inovação desejada conversa com a utilização das mais recentes tecnologias e conceitos.

É fato, tais grandes empresas investirem milhões de reais em plataformas de machine learning e, após alguns meses, estes projetos são abandonados, porque as organizações se dão conta de que a Inteligência Artificial equivale a um “cérebro bebê com alguns meses de vida“.

E apesar de pronta para ser usada, dotada de alta capacidade de absorção de conhecimento, requer bastante paciência para ser ensinada, pois sem alimentá-la de informação, ela simplesmente não vai conseguir proporcionar grande satisfação.

Segundo o professor David Burkus, em matéria publicada na HBR, um dos principais problemas das corporações não é o de gerar novas ideias e sim reconhecer que ideias já existentes são boas e podem resolver os problemas do dia a dia das empresas.

Com muita diligência, se tem buscado uma inovação disruptiva, um conceito não tão recente assim, no entanto, ultrapassado.  Criado em 1995 pelo professor Clayton M. Christensen, sem dúvida, é maravilhoso ver lançamentos de grande impacto no mercado que engrandecem a forma das empresas e consumidores pensarem, como foi o lançamento do iPhone, eliminando o uso dos teclados nos celulares.

Falando de nosso ambiente de trabalho, na Webeleven, nos deparamos constantemente com empresas nos chamando para conversar sobre projetos que usam Inteligência artificial, Machine Learning, Realidade Virtual, Realidade Aumentada, chatbot e por aí vai, mas em muitos momentos não detectamos um real motivador para isso. Essas organizações estão simplesmente utilizando essas tecnologias para cumprir um protocolo de tendência corporativa.

Nós depositamos confiança na inovação, a fim de solucionar um problema para melhorar o resultado e gerar um novo paradigma dentro da empresa. Ainda mais quando esta inovação está acompanhada de ajustes na cultura organizacional, tanto pela inauguração de uma nova dinâmica interna quanto colocar o cliente e usuário em foco.

Nesse ano, nós fomos procurados pela Coca-Cola / FEMSA,  cliente de longa data, devido a  um problema: como manter as geladeiras totalmente abastecidas e exibindo os produtos organizados no ponto de venda. Isto, para a equipe de trade marketing, além de ser um KPI importante, influi no resultado de venda da companhia.

Após algumas conversas e trabalho em conjunto, detectamos que existiam dois principais pontos. O primeiro era falta de capacitação humana no ponto de venda para manter a geladeira dentro do planograma proposto pela empresa. O segundo era como fazer uma auditoria para constatar se, realmente, a geladeira estava com os produtos colocados de forma correta.

Foi aí que a tecnologia entrou para solucionar este problema e não apenas para impor novos protocolos de execução que, em si, poderiam até mesmo gerar novos problemas.

Adotando a tecnologia de realidade aumentada, quando o celular com o app é apontado para a geladeira, em sua tela, ele exibe o planograma correto e isto facilita, para o responsável pelo ponto de venda, montar a geladeira da forma correta, apoiando com muita assertividade o problema da falta de consistência às práticas de merchandising esperadas pela marca.

Foi desenvolvido ainda para a mesma demanda, por meio da tecnologia de reconhecimento de imagem combinada com machine learning, a possibilidade de, em poucos segundos,  pelo processamento de uma foto, poder dar um feedback em tempo real para o ponto de venda, indicando se esse planograma está correto ou não e então, sanando a inconsistência detectada.

A tecnologia ainda se faz presente amarrando todo esse processo, por meio de uma plataforma de sustentação de um programa de incentivo à vendas. Este app possui uma área de saldo de pontos, acumulados pela observância das regras, prazos e atingimentos de vendas e aderência ao planograma visual da geladeira. Pontos estes que podem ser trocados por prêmios dentro de um catálogo. Tudo isso na palma da mão do usuário.

É isso que acreditamos: tecnologia aplicada para melhorar o resultado de uma empresa. Por isso, a identificação clara do problema e a leitura do cenário em que o cliente se encontra envolvido são chaves de sucesso para trabalhos certeiros.

Albert Florencio da Costa

Especialista em estratégia, M&A e Finanças. Um empreendedor nato, já estava em 1999 atuando com tecnologia de informação e internet quando fundou a Netsun, um dos primeiros provedores de internet do Brasil. Possui passagens pela Brasil Telecom, .comDomínio, MStech. Formado em Economia pela Insper, MBA pela USP sobre Economia do Setor Financeiro e Doutorado em Tecnologia da Inteligência, atualmente, ocupa o corpo docente da FGV para o MBA de Gestão Marketing na disciplina de Experiência de Uso ( UX) e pesquisador na Clemson University no Laboratório de Human-Centered Computing.

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