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IGTV: seria o começo do fim do YouTube?

Recurso do Instagram focado nos criadores de conteúdo, a IGTV, tem a pretensão de monetizar vídeos assim como já faz o YouTube

 

Foto. Mão de uma mulher branca, com um anel no polegar, segura um celular. Na tela do celular aparece a imagem do local que ela está visualizando. Uma área aberta com construções em volta. Esse é o mesmo conteúdo do fundo da imagem também. Do lado esquerdo um ícone de uma TV nas cores rosa e laranja.

Durante uma conferência realizada há alguns meses, em São Francisco, Kevin Systrom, fundador e CEO do Instagram, anunciou que a rede acabara de atingir 1 bilhão de usuários ativos mensais em todo o mundo, além de anunciar a mais nova aposta da rede social: o IGTV, mas já já nos aprofundamos nisso. Antes, precisamos destacar o quão corajosa foi a rede social de Zuckerberg e Systorm ao mudar tanto nos últimos cinco anos, correndo o maior risco de “flopar” em suas escolhas, mas por fim, triunfaram em praticamente todas as mudanças. Um exemplo de produto.

Lá em 2016, nós falávamos sobre a possibilidade do Snapchat, engolir usuários do Instagram, por conta de sua premissa de conteúdo de rápido consumo em vídeo que já era tendência nessa época. Enquanto isso, o Instagram investia somente em permitir a publicações de vídeos e a função “boomerang” que era até então, a maior novidade da plataforma. Porém, o tempo foi professor nessa “guerra”. O Snapchat foi firme e não cedeu ás investidas de Zuckerberg e o mesmo lançou o Stories no mesmo ano e em pouco tempo mostrou que a rede social poderia sim superar o Snapchat. A rede social do fantasminha perdeu força, mas não morreu, tanto que lançou novidades em anúncios, filtros e etc, além de apresentar um crescimento de 2,13% no primeiro trimestre de 2018, enquanto seu arquirrival apresentou um crescimento de 5% no mesmo período.

O Instagram é um case a ser estudado. Apesar de perder um pouco de sua essência nos últimos anos por conta das diversas funções, filtros e formatos permitidos pela rede, é inegável afirmar que o trabalho de Zuckerberg e Systorm é bom, afinal, a mesma só cresce em número de usuários e anunciantes, estes que estão cada vez mais felizes com as possibilidades que a rede oferece para eles. Tanto que uma pesquisa realizada pela HubSpot com mais de seis mil pessoas na América Latina, apontara que o Instagram é sua rede social predileta para anunciar, perdendo apenas para o YouTube.

Pois é, com base em todo esse sucesso, o Instagram mirou os criadores de conteúdo. Sabemos que Mark Zuckerberg acredita muito nesse “nicho” e, na América do Norte e Europa, a funcionalidade “Watch” do Facebook já faz sucesso e até possui programas exclusivos de algumas empresas como WWE e Major League Baseball. A Ideia é expandir o projeto para todo globo terrestre e até monetizar, assim como já faz o agora concorrente, YouTube.

O IGTV foi apresentado como a mais nova função do Instagram e também com um aplicativo próprio. Por enquanto, ele não terá anúncios. Será somente uma forma dos criadores de conteúdo produzirem para a sua base numa outra plataforma e em outro formato, afinal, o IGTV prefere vídeos gravados na vertical, assim como o Stories e o criador pode fazer uploads de vídeos de até uma infraestrutura similar a de um post comum. Como disse o CEO do Instargam durante aquela conferência: “Acreditamos que este é o futuro do vídeo. As pessoas continuam a gastar mais tempo com entretenimento em seus dispositivos móveis, e estamos facilitando que elas se aproximem dos criadores e do conteúdo original que eles adoram”. 

Agora com esse novo player dentro do Instagram, veremos de fato o início do fim da supremacia do YouTube que até “ontem” nadava de braçada nesse formato. O próprio já havia mexido os pauzinhos no início do ano e liberado o formato vertical para publicações de vídeos gravados assim, mas nada que revolucionasse a ferramenta. Os criadores de conteúdo cada vez mais reclamam dos filtros familiares impostos pelo YouTube e pela baixa renda gerada por anúncios, porém, ainda não há um refúgio para eles além de suas campanhas publicitárias, aplicativos próprios e serviços de apadrinhamento como Patreon, Pic Pay e etc.

O que você acha que vai acontecer com esse mercado?

Phelipe Barros

é Publicitário e especialista em redes sociais. Formado pela FAM é Produtor de conteúdo para internet há quase uma década. Viu quase todas as redes sociais nascerem e acredita que a tecnologia pode nos ajudar a tornar o mundo mais inteligente e humano. .

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