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Hora de repensar os formulários

Muitas coisas mudam na vida de quem trabalha no marketing online. Alternativas aparecem e desaparecem. Se você tirar um ano sabático, você provavelmente irá entender muito pouco quando voltar. Isso torna o marketing digital apaixonante para uns e assustador para outros. Muitos conceitos parecem se manter intactos por muito tempo. Alguns bem básicos. A página de cadastro, por exemplo, é um deles. Pouco mudou de 1994 para cá no que tange o processo de inserir informações nas páginas de campanhas para cadastrar um lead. O bom e velho formulário html, com uma maquiagem de html5, continua como a forma de nossos clientes entrarem no site e fazerem seu cadastro nas páginas. Talvez, porém, seu tempo de vida esteja chegando ao fim!

Começamos, em 2016, a repensar a interface de cadastro de formulário utilizando chatbots. O usuário entra e um chatbot diz “olá”, tirando dúvidas e, na conversa, pergunta dados do visitante. Durante a conversa, o robô cede informações e pergunta para o usuário as que ele precisa. Não há um campo a ser preenchido, o script é feito de modo que os dados básicos são pedidos e, no final, o robô indica a vantagem e pergunta os dados essenciais. O usuário não vê o tamanho nem o que será pedido, depende da conversa e do seu interesse.

De um ano para cá, utilizamos chatbots em dezenas de campanhas e isso fez com que, em média, houvesse um aumento de 20% na taxa de conversão de visitantes em leads em praticamente todos os casos. Em alguns clientes, a taxa de conversão mobile chegou a aumentar 100%.

As estratégias, claro, influenciam muito no resultado final. Alguns sites preferem fazer o robô parecer um humano, dando um nome e uma foto de ser humano. Outros deixam claro que é um assistente virtual, mas, além da escolha da personalidade e dos textos, outro fator importante é como ele vai ser apresentado na página.

A opção mais básica é criar um trigger em forma de aba no canto inferior direito da página. Algo como os sistemas de chat de atendimento funcionam. Esse trigger pode anunciar um “assistente virtual” ou algo mais genérico como “fale conosco” ou “tire suas dúvidas agora”.

Para complementar essa primeira opção, também há a possibilidade do chatbot pescar o visitante, isso é, do chat abrir depois de um tempo pré-estabelecido em que o usuário está navegando na página. Por exemplo: se o usuário entrou e está lendo o conteúdo por 40 segundos, a caixa de chat pode abrir e enviar a uma mensagem “Olá, eu sou um assistente virtual. Pode me chamar de Bot. Posso ajudar?” ou “Se tiver alguma dúvida, só me perguntar”.

Outro fator que pode ser utilizado é a abertura automática do chatbot quando o usuário está em ambiente mobile onde a taxa de conversão é conhecidamente baixa. Nesse caso, um chat abrindo em toda a tela do celular, gera um nível de surpresa e de familiaridade com a interação que, com certeza, é um dos fatores que geraram, em alguns de nossos casos, um aumento de 100% da taxa de conversão desses usuários impactados dessa forma.

Outra forma que vem aparecendo é o chatbot em tela cheia. Nesse caso, se o que eu quero é fazer o cadastro e o chatbot converte melhor, para que o site? Coloco o link na mídia e, quando o visitante entra na landing page, ele vê somente o robô se apresentando e instigando o usuário a conversar, a bater um papo, camuflando assim seu objetivo claro de captar leads para um funil de conversão.

O chatbot também tem se mostrado uma alternativa, para muitos de nossos clientes, para captar leads diretamente no Facebook. Esta rede social permite, já há algum tempo, que o destino de uma campanha seja diretamente o Facebook Messenger. Isso é, colocamos o ad no Facebook e, quando o usuário clica, ele não vai para um site externo, simplesmente abre uma conversa em seu Messenger com nosso assistente virtual. A mesma conversa que teria na página, na maioria dos casos. E a conversão daquele usuário impactado acontece dentro do Messenger, dentro do ambiente do Facebook.

Isso é legal, melhora a conversão… mas e o investimento? Inteligência artificial (IA), simulação de conversação, esse termos nos lembram uma coisa: um baita investimento para colocar isso funcionando. Bom, essa é a boa notícia. Com os sistemas de IA cada vez evoluindo mais, e com projetos cada vez mais interessantes e complexos aparecendo, um chatbot que auxilia a conversão em uma landing page está deixando de ser luxo e está cada vez mais acessível. Está virando, ou já virou, uma commodity. O custo de implantação do chatbot é, em vários casos, menor do que a elaboração da própria landing page e, com certeza, novas ferramentas gringas e nacionais irão aparecer no mercado em breve. Sem esquecer, obviamente, que aumentar a taxa de conversão em 20% é um impacto considerável no ROI e no resultado das campanhas online.

Acredito que, em um futuro bem próximo, dificilmente encontraremos uma campanha sem a opção de uma interface conversacional para auxiliar a conversão. E nosso querido formulário html, agora acompanhado pelo bot, será um aposentado tomando água de coco em alguma nova praia digital.

Luiz Augusto Barros

É empreendedor digital desde 1997, foi fundador de diversas empresas que foram marcantes do mercado brasileiro, como a desenvolvedora de games LOCZ vendida para o coreana SK em 2014 e da agência de marketing online Media Factory, que faz parte do grupo LeadMedia. Há muito tempo apaixonado por robôs, lançou o primeiro chatbot em 2001 para ICQ e, em 2016, uma empresa totalmente focada em interface conversacionais: a 2bots.

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