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Desafios na adoção de tecnologias emergentes

Fundo do conceito de ecologia e tecnologias.

A inovação tecnológica já se tornou elemento mandatório para o desenvolvimento sustentável de qualquer empresa, independente de seu tamanho ou segmento de atuação. São as escolhas de tecnologia feitas hoje que representam a base para negócios, estabelecem a maneira como as companhias vendem seus produtos e serviços, e como interagem com seus mais variados públicos.

Na era da conexão e da transformação, inovações surgem a cada milissegundo. Um piscar de olhos e novas tecnologias emergentes estão à disposição do mercado, prometendo uma verdadeira revolução no modo de ser e fazer. Pesquisa realizada pelo Institute for the Future (IFTF) e pela consultoria Vanson Bourne, em parceria com a Dell Technologies, mostra um futuro cheio de oportunidades, uma vez que essas tecnologias têm o potencial para impulsionar o progresso humano. Segundo o IFTF, Edge Computing, 5G, Realidade Estendida, Inteligência Artificial e Internet das Coisas vão provocar grandes mudanças na próxima década.

O estudo mostrou que no Brasil 92% dos líderes empresariais devem utilizar novas tecnologias para antecipar as demandas dos clientes e gerenciar os recursos necessários para atendê-las; enquanto 95% deles acreditam que essas tecnologias vão melhorar a colaboração e o trabalho. No entanto, 82% admitem que a transformação digital deveria ser mais ampla em suas organizações, abrangendo mais as operações e os negócios. O problema para sua rápida adesão e expansão está na insegurança e nos desafios que essas tecnologias emergentes trazem às companhias.

Por isso, é necessário buscar formas de facilitar a adoção massiva pela empresa. Pouco adianta apenas um departamento ou silo da organização estar aberto e interessado em adotar tecnologias emergentes, se o restante da companhia não entender os benefícios desta mudança.

 

Pedras no caminho

Quando uma empresa decide fazer um alto investimento para adquirir software, soluções e tecnologias emergentes acredita, em muitos casos, que esta é a parte mais importante. Na verdade, o ponto principal será a adoção desta tecnologia. A adoção se dá quando toda a organização incorpora em seu dia a dia a nova tecnologia e vê valor ao usá-la, entendendo que é essencial para manter o negócio funcionando, além de confiável para os workloads de missão crítica.

Alguns fatores dificultam a adoção dentro das empresas. São padrões e conceitos que precisam ser quebrados antes de implementar uma tecnologia emergente aos processos do dia a dia. O primeiro obstáculo é a cultura da organização e o medo dos colaboradores. As pessoas tendem a seguir atuando da forma tradicional, sob o pretexto de que “sempre deu certo”. Essa atitude afasta a possibilidade de inovar e usar novas tecnologias. Os profissionais também podem se sentir ameaçados por não ter o conhecimento técnico necessário ou por ter que sair da zona de conforto.

Inserir um projeto inovador em empresas que não possuem a colaboração como valor é algo difícil. Por isso, o primeiro passo é trabalhar a cultura de colaboração interna para que os times que lidam com a nova tecnologia e o legado possam atuar em conjunto, sem o sentimento de competição ou ameaça. Afinal, o conhecimento das pessoas que trabalham com o legado é tão fundamental quanto a nova tecnologia que se deseja implementar.

Outro ponto delicado é a ausência de apoio da alta gestão, sem o qual um projeto de tecnologias emergentes pode fracassar. Ou seja, a organização só irá se engajar em uma grande mudança de tecnologia se as camadas superiores considerarem isso uma prioridade e reproduzirem esta mensagem para toda a organização.

A falta de transparência também assusta. Um plano bem estruturado de como a nova tecnologia será implantada, com fases definidas e entregáveis rápidos é essencial para transmitir confiança aos colaboradores e ganhar apoio internamente. Seu bom desenvolvimento também depende de equipes específicas – como áreas de Inovação ou Research & Development – que usualmente estão mais antenadas às novas tecnologias e são conhecidas como Earlier Adopters. A partir disso é possível expandir o uso para a grande massa por meio de Massive Adoption. Nesse processo, mesmo os pequenos resultados, devem ser comunicados de forma constante.

 

Pavimentando o futuro

A adoção massiva de novas tecnologias leva tempo e é trabalhosa. Não dá para simplesmente “virar a chave” e impor que todos os colaboradores as aprendam e administrem da noite para o dia. Construir um processo contínuo e de longo prazo é essencial, a fim de assegurar inclusão ao invés de resistência. A empresa precisa investir no capital intelectual e no treinamento dos colaboradores, a fim de que possam administrar a nova tecnologia e seguir inovando.

Para medir como anda a adoção de uma tecnologia temos que considerar as métricas de satisfação do cliente, taxa de utilização dos softwares e serviços, engajamento dos times envolvidos, aceitação dos colaboradores, nível de skills desenvolvidas para lidar com as novas tecnologias, percepção de valor, e benefícios trazidos ao negócio, especialmente nas camadas “menos inovadoras” da empresa.

É por isso que, cada vez mais, falamos em Jornada de Adoção ou Customer Adoption Journey, o que na prática se traduz em consolidar a inovação tecnológica com o uso de software baseado em open source, considerando pessoas e processos num plano de adoção massivo no qual a empresa se transforma digitalmente. Nessa jornada, nenhuma mudança é tão simples quanto encontrar a próxima ferramenta tecnológica para otimizar seu negócio, mas todas são possíveis e podem pavimentar um futuro de interseção sustentável entre pessoas e tecnologias, em busca do sucesso.

Andrea Cavallari

é diretora de Soluções e Práticas Tecnológicas para América Latina na Red Hat. Com 14 anos de experiência no setor de TI, participou da criação do modelo de Customer Success na Red Hat e agora atua na implementação de uma equipe de Práticas na região como parte da organização de Serviços.

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