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Conteúdo Mobile First vai muito além de vídeo vertical

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Com os consumidores assistindo YouTube, consumindo streaming ou rolando os feeds de social nos celulares, o vídeo Mobile First se tornou essencial para qualquer campanha moderna de marketing

 

Todos sabemos da proliferação do mobile e como isso está mudando o cenário do consumo dos meios. Segundo dados do IBGE, 92,1% do acesso à internet é realizado através de dispositivos móveis. Hoje, 58% da população brasileira acessa a internet apenas pelo celular. Para aqueles de nós num longo relacionamento com nossos laptops e desktops, usando mais de uma tela, o dado pode ser surpreendente. Mas mesmo os usuários de desktop frequentemente alternam entre seu computador e seu smartphone ao longo do dia. Desnecessário dizer que, à medida que os celulares se tornam mais avançados e os apps para mobile atendem mais nossas necessidades, a ideia de uma população inteira acessando apenas através de dispositivos móveis é cada vez mais plausível.

É por isso que muitas empresas têm migrado para uma abordagem Mobile First ao planejar suas táticas de marketing. Mas, mesmo com grandes marcas fazendo a mudança, o marketing Mobile First ainda é mal compreendido ou até descartado como sendo muito caro ou de difícil implementação. Na realidade, uma mentalidade Mobile First é fundamental para qualquer campanha de marketing contemporânea. Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro do que no mundo dos vídeos, onde a cada dia mais espectadores estão em seus celulares, assistindo YouTube, acessando serviços de streaming e dando scroll nas redes sociais.

 

O que é Mobile First?

 

O que é Mobile-First?
Fonte: JKstock

 

O termo “Mobile First” refere-se ao conteúdo — vídeos, anúncios, sites — otimizado para dispositivos móveis. Isso não significa que o conteúdo mobile só funciona em dispositivos móveis, e sim que ele foi projetado com a funcionalidade para mobile em mente.

Uma tela menor requer proporções diferentes. Computadores menores exigem tamanhos de arquivos comprimidos. E, interfaces touch-screen mudam as interações do usuário. O conteúdo pensado somente para desktop vai afastar imediatamente os usuários de celulares, ao apresentar sites pesados demais para carregar, pop-ups difíceis de fechar, vídeos que dão play automaticamente ou menus de navegação complicados.

Adotar uma filosofia mobile vai além dos layouts que você cria. As peças precisam considerar todos os aspectos da experiência mobile mudando a forma de pensar. Isso inclui considerações como:

 

Onde os consumidores vão assistir esse vídeo?

 

Mobile First: onde os consumidores vão assistir esse vídeo?
Fonte: Akarawut

 

Ao contrário dos usuários de desktop, os de mobile estão — como a palavra sugere — em movimento. Eles querem levar o conteúdo com eles e acessar de qualquer lugar. Os profissionais de Criação precisam pensar nesta experiência tanto para quem assiste do celular no metrô, como quem está no conforto do seu sofá.

 

Haverá áudio?

Um relatório apontou que 69% dos usuários assistem vídeos com o som desligado. Isso significa que os criadores de conteúdo não podem depender do som para transmitir sua mensagem. Mas a proliferação de vídeos legendados no Facebook e no Instagram é a prova de que os espectadores ainda querem consumir seu vídeo, só que num formato híbrido com texto. É também por isso que pode haver selos “sound-on” em vídeos que precisam do fator sonoro.

Dar aos usuários a escolha entre um vídeo legendado ou uma experiência com som é a melhor maneira de garantir acessibilidade no mobile.

 

Como os consumidores estarão segurando seus dispositivos?

 

Como os consumidores estarão segurando seus dispositivos?
Fonte: Jacob Lund

 

A forma como os consumidores seguram seu dispositivo também tem um papel importante na sua experiência. A maioria das pessoas usa seus celulares na vertical, seja percorrendo o Instagram ou enviando e-mails. Pode ser bem chato ter de virar para assistir um único anúncio ou vídeo — daí o crescimento e a tendência de vídeos verticais no ambiente digital.

A forma como o celular é manipulado também faz diferença na forma como você faz a direção de arte da peça. Seu CTA está localizado longe de onde um consumidor estaria com o polegar ou o dedo indicador? Você está ocupando o maior espaço possível da tela? Em um ambiente onde os criadores estão constantemente competindo por atenção com marcas pequenas e grandes, seu conteúdo precisa ser o mais intuitivo possível para os usuários.

 

Preciso filmar tudo duas vezes?

A resposta curta é não. Criar conteúdo mobile-friendly não significa duplicar conteúdo para que ele funcione num celular. Em vez disso, é uma mentalidade. Ao criar uma campanha, os criativos precisam levar em conta todas as implicações da experiência mobile, desde a fase de criação, passando pela produção e a finalização. É necessário planejar proativamente uma estratégia de conteúdo que otimize o celular e complemente a experiência de desktop.

Vamos pensar por exemplo numa empresa que comercializa uma tecnologia complexa e que possui extenso material de treinamento. Sem otimização para mobile, esta empresa poderia decidir pegar uma apostila, originalmente desenvolvida para ser impressa, e convertê-la em PDF. Embora isso possa ser usado para marketing mobile, um PDF não é a melhor maneira de atingir os usuários em seus celulares.

Por outro lado, se essa mesma empresa adotar um jeito mobile de pensar, pode definir que um anúncio de texto é suficiente para descrever o produto, e um vídeo de demonstração com legenda é a melhor solução para um público mobile. Eles poderiam então levar os espectadores a uma landing page que explica seu produto com mais profundidade e oferece a possibilidade de inscrever-se para receber e-mails. Esta campanha, criada com o consumidor mobile em mente, dá à empresa mais oportunidades de promover seu produto através dos seus canais, e oferece ao consumidor mais chances de se engajar com o conteúdo. Melhor ainda, o conteúdo criado para celular combinando com a experiência desktop — sem a necessidade de alterações.

A ideia é que o conteúdo Mobile First não seja criado simplesmente gravando vídeos verticais e recortando fotos para o usuário de celular. Os criativos devem considerar o consumidor mobile em todas as etapas da criação para entender a melhor forma de exibir seu conteúdo. Mas não vamos mentir e dizer que o vídeo vertical não é uma grande peça do quebra-cabeça. Confira nosso guia sobre a produção de vídeos verticais, que abrange como gravar, recortar e formatar vídeos para mobile.

 

Otimização de conteúdo para múltiplas plataformas

 

Mobile First: otimização de conteúdo para múltiplas plataformas
Fonte: Losev Artyom

 

Você não tem que gravar tudo duas vezes, mas você tem que gravar tudo de forma diferente. O público do Instagram Stories vai preferir conteúdo diferente daqueles que rolam o feed do Facebook. Os espectadores do YouTube esperam um formato diferente dos consumidores no Twitter. Embora você não precise fazer conteúdo separado para cada uma dessas plataformas, há uma oportunidade de criar conteúdo para usar em cada uma dessas plataformas com um mínimo de edição. Aqui estão três maneiras comuns de otimizar o conteúdo para várias plataformas:

1. Grave em widescreen, depois recorte no formato

Se você está gravando conteúdo próprio, escolher uma lente mais ampla permitirá recortar facilmente para vídeo vertical depois. Ao invés de regravar conteúdo para celular, você pode fazer as alterações no próprio material captado. É importante prestar atenção mantendo Mobile First na cabeça, para que o vídeo pareça natural quando for recortado. Isso significa manter o assunto principal no centro do enquadramento e evitar movimentos de câmera que necessitem o quadro mais aberto.

2. De blog para script

 

De blog para script
Fonte: David MG

 

Transformar um post de blog em um vídeo curto ou podcast é uma maneira eficiente de reaproveitar o conteúdo e economizar tempo criando novos conteúdos. Você pode editar artigos e até criar vídeos super curtos, dando destaque a textos e títulos que chamem atenção. Ou você pode usar um post do blog como um ponto de partida para um material mais longo e detalhado — como um eBook ou um podcast. Trabalhe com o que você tem, mas leve em consideração as características únicas de cada plataforma onde você deseja veicular.

3. Cenas de stock (banco de imagem)

 

Cenas de stock (banco de imagem)
Fonte: Maxim Blinkov

 

Mesmo produtores profissionais de vídeos não filmam 100% dos seus projetos. Com a demanda por vídeo tão alta, a necessidade de cenas novas também é grande, e os vídeos prontos em bancos de imagem (conhecidos como stock) são uma solução simples e prática para a criação de conteúdo em escala. O vídeo stock é naturalmente uma das primeiras escolhas para mobile, pois as cenas são versáteis e podem ser usadas de muitas maneiras. Você pode buscar especificamente por vídeos verticais, ou recortar quaisquer vídeos existentes no acervo que você baixar para exibição na vertical. Você pode incluir a mesma cena em vários vídeos, ou escolher sequências diferentes do mesmo material para usar em diferentes canais.

Se você quiser mais variedade em seus vídeos, licenciar diversos vídeos pode ter um custo bem atraente. Com a nossa assinatura de vídeos, você pode baixar uma determinada quantidade de vídeos por mês. Esta nova modalidade tem uma grande vantagem — ela também dá acesso a vídeos gratuitos. Se você está procurando coleções variadas de vídeos sem grandes compromissos, esta pode ser uma boa solução.

Vídeos stock também consistem numa técnica dos profissionais de edição para elevar o patamar dos seus vídeos. As gravações próprias são incríveis quando você tem a possibilidade de captação, mas é preciso trabalho de produção de alto nível (e orçamento) para filmar uma história inteira do começo ao fim. Os vídeos stock ajudam a preencher as lacunas, seja para uma vinheta curta ou para um vídeo de dez minutos no YouTube. Use como cenas de contextualização, ou para transição e outros momentos intermediários que vão complementar e tornar sua história rica e coesa.

 

Especificações para vídeo mobile e outras considerações

Mobile First é uma mentalidade. No entanto, existem considerações que farão seu conteúdo se destacar ainda mais. Aqui está uma lista de perguntas para verificar, antes de começar a criar seu conteúdo, se poderá otimizá-lo para dispositivos móveis:

  1. Em quais plataformas esse conteúdo será veiculado?
  2. Como os consumidores visualizarão esse conteúdo (dispositivo, orientação do celular, etc.)?
  3. Os consumidores terão acesso ao áudio?
  4. Os consumidores estarão com tempo suficiente para assistir a totalidade do meu vídeo? Quanto é o mínimo que eles precisam ver?
  5. Qual formato vai transmitir melhor minha mensagem? Como os consumidores vão se engajar?

Além disso, existem especificações técnicas que se aplicam a cada vídeo que você faz. Se você está subindo em redes sociais (o lugar mais provável para vídeos Mobile First), conheça as specs de cada veículo, pois não é o mesmo para todos.

 

Proporções de vídeo mobile

A proporção é a razão entre largura e altura de um vídeo. Você pode ter dois vídeos com dimensões diferentes, mas com a mesma proporção. Quando você está criando vídeos Mobile First, há algumas proporções padrão para trabalhar. Algumas plataformas, como o Twitter, têm proporções de vídeo únicas (1:2.39 a 2.39:1), então sempre verifique as specs quando for recortar um vídeo para redes sociais.

  1.  Horizontal: 16:9
  2.  Vertical: 9:16, no caso de vertical tela total (pense no Instagram Stories) ou 4:5, no caso de postagens menores no feed (pense nos posts no Instagram)
  3. Quadrado: 1:1

 

Resolução para vídeo mobile

Aqui estão alguns dos requisitos mínimos de resolução para vídeos em plataformas sociais. Estas não são necessariamente as melhores dimensões para um vídeo, mas são um ponto de referência para resolução típica de vídeo mobile.

  1. Vídeo vertical: 600 x 750
  2. Vídeo horizontal: 600 x 315
  3. Vídeo quadrado: 600 x 600

 

Bit rate de vídeo mobile

O bit rate é composto por alguns fatores, como taxa de frames, áudio e resolução do vídeo. Não existe um número mágico de bit rate para vídeo, especialmente porque você vai veicular seus vídeos em plataformas diferentes. No entanto, seu objetivo deve ser sempre alcançar um tamanho de arquivo gerenciável sem perder qualidade.

 

Reprodução de vídeo mobile

A maioria dos espectadores de vídeo digital, independentemente de qual dispositivo usam, têm períodos de atenção extremamente curtos. Depois de apenas dois segundos de espera para um vídeo carregar, os espectadores começarão a cair. A melhor maneira de evitar isso é garantir que seu arquivo de vídeo seja prático para carregar numa página mobile.

Quando você está lidando com vídeo em páginas mobile na web, uma grande atenção deve ser dada ao tempo de carregamento da página. Um arquivo de vídeo pesado pode sobrecarregar o celular do usuário, fazendo toda a página carregar lentamente (sem mencionar quanto ele vai gastar de dados do plano de internet móvel) e forçando-o a sair da página. Você pode evitar isso nunca configurando para auto-play, o que provocaria o download automático e consequentemente lentidão.

Kaori Abe

Com mais de 20 anos de experiência no mercado publicitário, hoje é Field Marketing Manager da Shutterstock para América Latina.

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