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Conteúdo é rei. Será?

Uma das frases mais ditas por profissionais de Marketing Digital é “O conteúdo é o rei”. Aposto que você já ouviu isso em algum momento e se questionou se eles estão realmente certos. Há algum tempo Gary Vaynerchuk, um dos maiores gurus das mídias sociais e empreendedor de sucesso que investiu em ideias como o Tumblr, disse a seguinte frase: “Se conteúdo é o rei, o contexto é Deus”. Esse pensamento ilustra bem o novo momento da comunicação online.

Quando o desktop era o principal equipamento para acesso online, ficava mais simples prever com alguma certeza qual seria o contexto onde o usuário iria consumir determinado conteúdo. Ele deveria estar sentado em sua casa ou no trabalho. Mas e agora? Quando o usuário é impactado em seu smartphone ou tablet, onde ele está? O que está fazendo? Quais são seus desejos?

Por exemplo, no passado, quando um usuário procurava “Livro Game of Thrones” no mecanismo de pesquisa, podíamos supor que ele estava em casa, em um local com menos agitação e dispondo de tempo para ler. Hoje ele pode estar andando na rua ou dentro de uma loja física, decidindo se a compra será online ou offline. Ele gostaria de comprar o livro ou apenas ter mais informações sobre ele? Levar essas informações em conta é importante quando se pensa em contextualizar o conteúdo e entregá-lo na hora e no local adequado.

A E-bit, em parceria com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, mostrou em sua última atualização do relatório WebShoppers, que 9,7% de todas as vendas de bens de consumo realizadas pela internet em 2014 foram realizadas a partir de dispositivos móveis. Em um ambiente repleto de dispositivos mobile e, por isso, com consumidores com hábitos cada vez menos padronizados, entender o comportamento do usuário e quando inicia-se o seu ciclo de consumo tornou-se mais importante do que apenas criar conteúdo qualificado. Não se trata mais de quem cria o melhor conteúdo e sim de quem consegue impactar o público-alvo com a informação de forma mais contextualizada.

Hoje ferramentas de Web Analytics, como Google Analytics e Adobe Omniture, não são mais suficientes para criar o melhor conteúdo para o usuário. A cada dia que passa, análises netnográficas obtidas a partir de insights de redes sociais e de ferramentas como o Socialbakers, em conjunto com dados de Back Office, mostram que os consumidores possuem perfis variado e que a tentativa de agrupá-los é ineficiente. No futuro será essencial entender o consumidor e tratá-lo como indivíduo e não como um grupo de pessoas que consomem informações de uma mesma forma.

Os profissionais de Marketing Digital não têm dado a devida atenção a esse tipo de informação e cada vez que o contexto é ignorado, perde-se dinheiro. Um exemplo lúdico da importância do conteúdo contextualizado: Você possui um site que é um grande guia de empresas e a categoria mais visitada é a de restaurantes. A tecnologia do site permite exibir conteúdo segmentado de acordo com a localização do usuário, mas você tem uma página que exibe anúncios apenas de acordo com a proximidade do usuário. Um bom exemplo da entrega de conteúdo contextualizado seria ligar seu CMS com a API de um site de previsão do tempo e sempre que o índice pluviométrico na região do cliente atingir determinado valor, exibir anúncios de comida delivery com maior destaque, afinal ninguém gosta de tomar chuva.

Esse é um exemplo simples, que já é aplicado em diversos lugares. Como a sua empresa se posiciona com relação a isso? Sem o contexto adequado, a sua comunicação é apenas mais uma em meio à milhões. A análise de Big Data para entender o contexto das necessidades do seu cliente e o local onde ele gostaria de receber a informação é uma realidade. Se “O conteúdo é o rei” ainda norteia sua estratégia digital, é melhor começar a repensar, antes que o seu concorrente domine o mercado.

Leonardo Pereira Cruz

é coordenador de SEO na Vitrio. Especialista em comércio eletrônico e marketing digital, já atuou como consultor de projetos de SEM em empresas como B2W, Coca Cola, Vivo, Philips, Nokia e Walmart.

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