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Como o furor com novas ferramentas e tecnologias pode atrapalhar sua estratégia de marketing

A tecnologia deve ficar em segundo plano durante o processo de criação de um e-commerce e o foco deve ser a experiência do usuário

 

Novas funcionalidades na plataforma, tendências nas redes sociais, algoritmos em constante transformação, entrega por meio de drones… tudo isso fascina e encanta os empreendedores, principalmente no e-commerce. Mas de nada adianta um super robô se sua loja não oferecer o mínimo para encantar o cliente, princípio básico de toda escola de venda.

Por isso, a tecnologia deve ficar em segundo plano durante o processo de criação de um e-commerce e o foco deve ser a experiência do usuário. Para inovar, é preciso estudo, protótipos, entrevistas, tempo, conhecimento e habilidade. É preciso contar com uma equipe multidisciplinar de especialistas, tornando esse processo mais colaborativo e atingindo resultados infinitamente melhores.

Planejamento e responsabilidade são a base desse processo. É crucial definir variáveis antes de iniciar o projeto, saber quantos produtos a loja terá, qual o público-alvo, como serão produzidas as fotos, a quantidade de conteúdo, etc. É muito comum, no decorrer de uma implementação, o empreendedor desistir ou mudar algumas etapas do projeto. Isso faz com que o projeto se desmanche e perca personalidade.

Outro ponto de atenção é o conceito. O cliente não entrou em seu site para apreciar seu belo layout. Ele busca um produto pelo menor preço possível, uma loja com boa reputação, um sistema seguro de compra, logística confiável e atendimento perfeito. Se perguntarem, talvez ele nem se lembre de citar o layout como algo relevante. Por isso, é importante diferenciar layout de experiência: seu cliente quer uma boa experiência.

Se você vende moda, ele vai adorar algumas dicas de estilo, uma abordagem conceitual da coleção, banners chamativos com modelos inspiradoras, etc. Mas se você vende uma commoditie, ele provavelmente quer credibilidade e preço. Esqueça o layout bonitão e foque na experiência perfeita. Processos de Design Thinking costumam ser muito úteis nesse ponto, assim como wireframes, mindmaps e protótipos para testes com usuários, que também são excelentes alternativas para compreender como o layout poder unir design e usabilidade.

E lembre-se: o trabalho não acaba quando o projeto é entregue. Uma vez que o alicerce foi finalizado, é preciso manter o acompanhamento, criar processos, documentar, fornecer sistemas para conferência desse material e evoluir constantemente.

Esse é o momento de integrar as ferramentas e tecnologias disponíveis. Configure o Analytics ao seu modo, adote heatmap, scrollmap, teste a/b, CRO, defina metas, tenha dados para orientar as melhorias do seu e-commerce e atue para evitar o re-design completo, pois raramente é a melhor solução.

Uma loja online deve ser um organismo vivo que evolui constantemente, tendo os dados obtidos como seu catalisador de mudanças. Em um projeto que envolve tantas frentes interdisciplinares de trabalho, existe muito risco. O design tem o poder de unir estas frentes, mas não pode ser um exercício solitário. Deste modo, esqueça o seu layout brilhante ou aquela tecnologia super inovadora e foque na experiência do seu usuário.

 

Luciano Villalba

é Head of Design/UX da Infracommerce.

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