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A publicidade em podcasts cresce e já é uma realidade no Brasil

De produtores independentes até os grandes players tradicionais de mídia também vêm adotando o formato de podcast com afinco

 

Foto. Mãos de um homem segurando um celular branco com uma tela laranja e um símbolo de microfone. Ele está ouvindo um podcast.

O segunda edição do Podcast Revenue Study, realizado pelo IAB US e pela PwC, em 2018, confirmou um sólido crescimento da receita e um momento significativo para o mercado de podcasts nos Estados Unidos. O documento estima ainda que a receita com publicidade em podcasts deve crescer mais de 110%, para US$ 659 milhões, até 2020. Mas como anda isso por aqui?

Duas pesquisas importantes sobre o tema foram realizadas no Brasil, no fim do ano passado, e que mostram a força dos podcasts por aqui também. A Audio.ad fez o seu segundo estudo sobre o consumo de áudio no Brasil e revelou que 25% de todos os entrevistados afirmam escutar podcasts regularmente. Já a Associação Brasileira de Podcasts (ABPOD), em sua PodPesquisa, aponta que mais da metade de todos que ouvem podcasts fazem isso diariamente.

O consumo de podcasts se dá basicamente pelo celular (91%) e principalmente quando as pessoas estão em trânsito (79%) ou fazendo atividades domésticas (68%), e vem se consolidando cada vez mais como um formato de entretenimento, informação e educação.

Mas não são apenas os produtores independentes que estão utilizando a plataforma. Grandes players tradicionais de mídia também vêm adotando o formato com força, como é o caso do Grupo Estado, que acabou com a rádio Estadão em 2017, mas continuou a produzir conteúdo jornalístico em áudio que é distribuído em podcasts; o Sistema Globo de Rádio, que disponibiliza os programas das rádios, além de produzir conteúdo exclusivo para o ambiente digital; e a Rádio Jovem Pan, que lançou a sua plataforma de podcasts no ano passado.

As pesquisas mostram também a grande influência do formato. 63% dos entrevistados afirmam ter comprado algum produto ou serviço anunciado em podcasts. Dentro deste cenário, grandes anunciantes começam a experimentar o formato, como é o caso da Petrobras, Caixa Econômica Federal, SENAC, Natura entre outros.

A publicidade nos podcasts pode acontecer de quatro maneiras diferentes:

  • Spots de áudio (pre-roll, mid-roll ou post-roll): os spots tradicionais de 30 segundos são inseridos dinamicamente antes, durante ou depois do programa;
  • Testemunhais: formato mais usual gravado pelos locutores do programa que aparecem no meio do episódio e geralmente têm entre 1 e 2 minutos de duração;
  • Programa temático: formato no qual um programa inteiro é feito com base em um tema passado pelo anunciante;
  • Programa do cliente: quando uma marca faz seu próprio conteúdo em podcasts e disponibiliza isso em seus ambientes digitais. Neste caso, há um grande esforço da marca para gerar audiência para o seu conteúdo e que pode ser complementado com testemunhais em outros programas podcasts.

 

Mas o meio ainda apresenta alguns desafios e o maior deles ainda são as métricas. Por ser um formato que permite que as pessoas baixem o arquivo para ouvir “off-line”, ou seja, sem necessariamente estarem conectadas à internet, não é possível registrar todas as reproduções nem ter métricas precisas das pessoas que foram impactadas pelos podcasts, o que pode assustar alguns anunciantes que estão cada vez mais querendo dados em tempo real. Mas, apesar disso, anunciantes de todas as categorias nos EUA estão encontrando ótimos retornos em seus anúncios em podcast, e isso se reflete em investimentos crescentes.

Esse é um dos grandes temas que estamos abordando no Comitê de Áudio este ano e, sem dúvida, teremos muita discussão e trabalho para fazer com que o crescimento do formato no Brasil acompanhe a grande evolução que já acontece nos EUA.

Rodrigo Tigre

é sócio-diretor da RedMas e possuiu mais de 20 anos no mercado digital nas áreas de tecnologia e vendas, desenvolvendo projetos na internet desde 1997.

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