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A cultura de inovação como imperativo de negócio

Diante da dinamicidade do mercado e do mundo, a busca por novas soluções e maneiras de se fazer desponta nas últimas décadas não mais como um diferencial, mas como um imperativo de negócio

 

Com o contexto de pandemia e a necessidade da criação de novas soluções para um cenário que nem mesmo as equipes de gestão de crise estavam preparadas, a sentença do “é tempo de inovar” nunca esteve tão presente. O mergulho nas ferramentas tecnológicas foi inevitável, a atualização de tecnologias, principalmente para atendimento de necessidades digitais, se tornou urgente. E, apesar de todas elas, mais uma vez ficou claro que não só de tecnologia é feita a inovação.

Segundo o especialista em inovação Larry Keeley, a tecnologia é responsável apenas por cerca de 5% de uma grande inovação. Todos os 95% restantes dizem respeito a experimentações humanas. Assim, sem o desenvolvimento de novas formas humanas, e não apenas técnicas, de se fazer, nenhuma inovação é possível.

Você deve estar se perguntando: “Senão sobre técnica, é sobre o quê?” Uns dizem “criatividade”, outros dizem “agilidade”, outros “ideias a frente do seu tempo”. Comecemos pelo essencial: a cultura.

 

A importância da cultura de inovação

Para que o processo de inovação seja uma realidade, e não apenas um discurso, é de extrema importância que se configure como uma cultura compartilhada entre todos e não apenas como uma ideia discutida entre alguns. É somente construindo essa cultura que se criará uma terra fértil para novas explorações estimuladas pela curiosidade e coragem de se fazer as velhas coisas de novas maneiras.

A compreensão de que a mudança e inovação são a melhor opção tanto para os processos da empresa, no que diz respeito ao seu planejamento estratégico e suas metas corporativas a curto, médio e longo prazo, quanto para os seus colaboradores e suas metas e processos cotidianos, é imprescindível.

A partir daí, a conscientização das reais demandas do mercado e a capacidade de respondê-las com agilidade acaba recaindo ao capital intelectual, trazendo aos colaboradores não só a retenção do valor da mudança e inovação, como o sentimento de valorização de seus trabalhos. Por isso, para além da fundamental presença da liderança nos processos de desenvolvimento de propostas inovadoras, é de extrema importância que as equipes, de distintas competências e áreas de atuação, sejam sensibilizadas e envolvidas nos processos de mudança.

Além do ganho de clima e do reconhecimento do valor da mudança, ganha-se ainda, com a abertura para escuta e inserção de diferentes colaboradores no processo, na retenção de novos talentos e na possibilidade de exploração de novas propostas oriundas de olhares e contextos diferentes, estabelecendo um diálogo direto com os valiosos benefícios das ações de diversidade e inclusão.

A multiplicidade destes olhares torna possível, sob a perspectiva da empresa, a compreensão das urgências do mercado através de distintas óticas, lógicas e backgrounds sociais, e, sob a perspectiva do colaborador, a possibilidade de empreender e inovar dentro da empresa que colabora.

 

Inovação é processo

Para além disso, é fundamental o entendimento de que inovação é processo. Impulsionada pela coragem e apartada pela paciência, é preciso compreender o tempo. Sem abrir mão da agilidade, o processo de desenvolvimento de práticas e produtos inovadores demanda a erudição dos ciclos e a aceitação do que convencionou-se chamar de “fracasso”.

Etimologicamente o fracasso vem da ruína e é lá que se encontra a possibilidade de um novo fazer. A cultura de inovação é sobre isso, fazer de novo e de novo e de novo, dando espaço ao erro e encontrando nele a possibilidade de uma nova tentativa, de um presságio ao êxito.

É importante, no entanto, que se compreenda cada um dos erros. O que te levou ao fracasso? o que poderia ser transformado? Olhar para trás é fundamental, assim como planejar e mesclar a organicidade da terra fértil com dados objetivos e metas, tanto no que diz respeito ao processo de inovação, como no que diz respeito à geração de resultados que ele produzirá.

Qual é retenção do processo de implementação da cultura de inovação na sua empresa? Você acredita que os colaboradores com mais anos de casa têm a mesma perspectiva sobre a inovação que os colaboradores em fase de estágio? Quais métricas foram estabelecidas para o cumprimento da meta do próximo projeto?

Para se desenvolver uma cultura de inovação real e assertiva, é necessário estar atento às paisagens internas e externas, acompanhar os colaboradores de diferentes áreas e hierarquias, os números, as métricas, as metas, os dados de mercado e os cases de sucesso. Compreender como o mercado tem se movido e como a sua empresa tem respondido a esse movimentos. As mudanças do mercado têm movido sua empresa positivamente? E as suas mudanças, têm causado novos movimentos no mercado?

Fabiana Silva

Pós graduada em pesquisa de opinião, mercado e mídia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de SP. Sócia e responsável pela área de Operações da Ideafix, pela metodologia adotada nos projetos, assim como pela definição de indicadores e modelagem de índices proprietários. Em quase 20 anos na área, atuou nas diferentes etapas da pesquisa quantitativa e qualitativa e pesquisou os mais variados temas. Diretora de Comunicação na última gestão da ASBPM - Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia.

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